
Imagine só: há 3,5 bilhões de anos, a Austrália estava se deslocando em direção ao Polo Sul a uma velocidade de quase meio metro por ano. Isto representa um ritmo sete vezes mais rápido que qualquer placa tectônica se move hoje. Essa descoberta acaba de ser apresentada como a evidência direta mais antiga do movimento das placas tectônicas na Terra.
A equipe de pesquisadores liderada pelo Dr. Alec Brenner, da Universidade de Yale, encontrou essas evidências no Craton de Pilbara, na Austrália Ocidental. Essa região guarda alguns dos registros mais antigos de vida no planeta e agora também revela como os continentes se movimentavam quando a Terra ainda era jovem. A pesquisa foi publicada na revista Science.
Determinar quando as placas tectônicas começaram a se mover é uma das grandes questões da ciência planetária. Algumas evidências indiretas sugerem que esse processo começou há quase 4,6 bilhões de anos, praticamente junto com a formação da Terra. No outro extremo, há quem defenda que tudo começou há apenas 700 milhões de anos, ao fim de um período conhecido como o “bilhão entediante”.
Com essa pesquisa, Brenner e sua equipe conseguiram estreitar essa janela temporal de forma significativa. “Com este estudo, conseguimos dizer que há 3,5 bilhões de anos, podemos ver placas se movendo pela superfície da Terra”, declarou o pesquisador.
O Craton de Pilbara se formou há cerca de 3,8 bilhões de anos. Hoje a região parece pacata, mas os registros mostram que ela viveu um período de movimento intenso.
A técnica utilizada é fascinante. A equipe coletou 931 amostras de rocha em mais de 100 locais diferentes e analisou o magnetismo presente nelas. Cada rocha funciona como uma espécie de “bússola fóssil”, registrando a direção do campo magnético da Terra no momento em que se resfriou.
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