Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Segredo da formação dos mundos pode distinguir planetas de estrelas fracassadas

Segredo da formação dos mundos pode distinguir planetas de estrelas fracassadas

Um artigo recém-publicado no periódico científico The Astronomical Journal traz avanços na distinção entre planetas gigantes e anãs marrons – corpos celestes que nunca tiveram massa suficiente para iniciar a fusão nuclear (por isso chamadas de “estrelas fracassadas”).

Embora as anãs marrons geralmente sejam mais pesadas, alguns planetas podem ter massas semelhantes, dificultando a classificação. Com o novo estudo, pesquisadores descobriram que a rotação desses objetos pode ser a chave para diferenciá-los.

Planetas se formam dentro de discos de gás e poeira que giram ao redor de estrelas, acumulando material aos poucos. Já as anãs marrons surgem da fragmentação de nuvens de gás, como pequenas estrelas. Esse processo de formação deixa uma marca: o momento angular, que faz o corpo girar em torno de seu próprio eixo.

A pesquisa mostra que planetas gigantes gasosos costumam girar mais rápido do que anãs marrons com massas semelhantes. “A rotação é um registro fóssil de como um planeta se formou”, afirma Dino Chih-Chun Hsu, da Universidade Northwestern, autor principal do estudo, em um comunicado. Medir a velocidade de rotação ajuda a reconstruir os processos físicos que moldaram esses mundos milhões de anos atrás.

Animação artística comparando a rotação de um exoplaneta gigante gasoso (à esquerda) e de uma anã marrom companheira mais massiva (à direita). Astrônomos mediram as taxas de rotação de mundos distantes analisando o sutil alargamento em seus espectros causado pela rotação. O… pic.twitter.com/KhZ8dEEV3P

A equipe analisou 32 objetos, incluindo planetas gigantes, anãs marrons orbitando estrelas e corpos errantes, além de examinar propriedades de anãs marrons isoladas. Os resultados indicam que tanto a massa do planeta quanto a relação entre a massa do planeta e a de sua estrela influenciam a rotação final. “Isso nos ajuda a entender melhor como esses sistemas se formam”, explica Hsu.

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