
Você provavelmente já ouviu que a circunferência da Terra ultrapassa os 40 mil quilômetros. Mas como esse valor foi calculado pela primeira vez? A resposta remonta a mais de dois mil anos, quando o filósofo grego Eratóstenes utilizou sombras, observações e princípios geométricos para chegar a um resultado surpreendentemente preciso.
No programa Olhar Espacial da última sexta-feira, apresentado por Marcelo Zurita, o tema foi revisitado. O convidado foi João Pedro Bertonha Lombardi, mestrando da Universidade Estadual Paulista, que explicou como o experimento clássico ainda inspira práticas educacionais atuais.
Inspirado nesse experimento histórico, o Projeto Eratóstenes Brasil reúne estudantes de diferentes regiões do país com um objetivo comum. A proposta consiste em medir a sombra de um objeto vertical ao meio-dia solar e compartilhar os dados com outras escolas. “Esse ano, a gente já teve 69 escolas inscritas de maneira inicial”, destacou João Pedro durante o programa.
A iniciativa promove uma experiência colaborativa e prática de aprendizado científico. Escolas, professores e alunos atuam em conjunto para reproduzir um experimento clássico. “É um experimento de custo baixo, e o tempo dele você consegue utilizar relacionando com outras atividades da escola”, explicou o pesquisador.
O método aplicado no projeto segue uma lógica simples, mas exige precisão nas medições e colaboração entre diferentes locais. A comparação entre sombras medidas em cidades distintas permite calcular o ângulo da curvatura terrestre, base essencial para estimar a circunferência do planeta. Esse princípio remonta diretamente às observações feitas na Grécia Antiga.
Segundo João Pedro, o conhecimento sobre Eratóstenes chegou até hoje de forma indireta. “Não se tem nenhuma obra original escrita pelo próprio Eratóstenes. O que a gente tem são seus trabalhos sendo divulgados por outras pessoas em obras diferentes”, afirmou. Ainda assim, o método permanece como referência científica.
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