Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Cérebro transparente? Proteína do sangue é a chave para revelar o interior do órgão

Cérebro transparente? Proteína do sangue é a chave para revelar o interior do órgão

Uma das maiores dificuldades do estudo sobre o corpo humano pode ter sido solucionada, e a resposta estava mais perto do que se esperava. Recentemente, uma pesquisa realizada pela Universidade de Kyushu, no Japão, utilizou proteínas do sangue humano para tornar a atividade cerebral temporariamente mais visível. Com isso, foi possível analisar a atuação neural do cérebro sem que ela fosse interrompida.

A análise, publicada pela revista Nature Methods, utilizou a albumina, uma proteína comum no sangue humano, para melhorar a passagem da luz e permitir uma visualização mais clara de regiões cerebrais antes pouco acessíveis.

O cérebro é um dos órgãos mais importantes do corpo humano e um dos mais difíceis de ser estudado. Processos cerebrais, como a memória, por exemplo, estão diretamente ligados à interação entre neurônios localizados em áreas profundas. Essas regiões são de difícil visualização, já que a iluminação artificial não as alcança com facilidade, dificultando estudos mais aprofundados.

Buscando analisar essas atividades com mais precisão, os pesquisadores testaram substâncias que permitissem uma maior transparência e encontraram a resposta em um dos compostos mais comuns do sangue: a albumina. Ao adicionar a proteína no líquido em que o cérebro está imerso, o órgão tornou-se temporariamente translúcido.

“Eu testei três ou quatro vezes antes de acreditar. De todas as coisas possíveis, nunca imaginamos que a solução viria disso”, afirmou Shigenori Inagak, pesquisador do estudo.

Em seguida, a solução, nomeada de SeeDB-Live, foi submetida a testes. Os cérebros de camundongos utilizados nos experimentos levaram cerca de uma hora para ficarem mais visíveis, possibilitando uma análise profunda. Nos roedores vivos, a substância tornou os sinais do órgão mais luminosos, auxiliando em seu mapeamento.

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