Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

O “superpoder” do olhar humano explicado pela ciência

O “superpoder” do olhar humano explicado pela ciência

A cor branca da esclera, parte visível ao redor da íris nos olhos humanos, pode estar ligada à forma como a espécie se comunica visualmente. Estudos científicos apontam que essa característica facilita identificar rapidamente para onde outra pessoa está olhando, o que influencia interações sociais no dia a dia.

Por muito tempo, pesquisadores associaram esse traço a um tipo de “superpoder” humano: a capacidade de transmitir informações apenas com o olhar, de maneira clara e imediata. No entanto, investigações mais recentes indicam que essa habilidade não é exclusiva da nossa espécie e também pode estar presente em outros primatas.

A principal explicação científica para esse “superpoder” está no contraste entre a esclera clara e a íris mais escura, o que torna a direção do olhar mais evidente. Durante anos, pesquisadores apontaram esse fator como uma vantagem evolutiva importante, permitindo uma comunicação não verbal mais eficiente.

Na prática, isso significa que humanos conseguem identificar rapidamente mudanças sutis no olhar de outra pessoa, como desvios de atenção ou reações emocionais. Esse tipo de leitura visual teria contribuído para interações sociais mais complexas ao longo da evolução.

Apesar dessa vantagem aparente, pesquisas mais recentes vêm relativizando a ideia de exclusividade. Em 2019, um estudo com mais de 150 indivíduos, incluindo humanos, chimpanzés e bonobos, mostrou que mesmo com escleras mais escuras, esses primatas ainda conseguem acompanhar o olhar uns dos outros.

Os resultados indicam que o contraste entre claro e escuro nos olhos desses animais também é suficiente para permitir esse tipo de comunicação visual, ainda que de forma menos evidente para observadores humanos.

Compartilhe