
Vênus tem sido cada vez mais estudado como referência para entender mundos rochosos que orbitam outras estrelas. Missões como o Telescópio Espacial James Webb (JWST) e o futuro Observatório de Mundos Habitáveis (HWO), ambos da NASA, ajudam a comparar planetas e entender se um mundo pode ser parecido com a Terra ou um verdadeiro inferno, como o nosso vizinho extremo.
Pesquisadores da Universidade de Washington, EUA, liderados pelo astrônomo Rodolfo Garcia, investigaram por que Vênus e Terra, tão próximos, evoluíram de forma tão diferente. Para isso, simularam 4,5 bilhões de anos da história de Vênus usando o software VPLanet, que permite testar diferentes condições iniciais e parâmetros físicos do planeta.
O estudo foi conduzido no Laboratório de Planetas Virtuais (VPL), onde a equipe utiliza a ferramenta para simular a evolução de planetas, incluindo os chamados exoplanetas (de fora do Sistema Solar). Assim, conseguem entender como fatores internos, como o núcleo e o manto, e externos, como a atmosfera, influenciam a história e as condições dos mundos rochosos.
Foram feitas 234 mil simulações, assumindo que Vênus sempre teve “tampa estagnada” na crosta, ou seja, sem placas tectônicas móveis como as da Terra. O modelo considerou o interior do planeta, sua crosta e a atmosfera, aplicando três restrições: pressão de dióxido de carbono de 92 bar, pressão de água de 3 milibares e um campo magnético muito fraco, menos de 0,01% do da Terra. Apenas 808 simulações, 0,35% do total, conseguiram reproduzir essas condições.
As simulações bem-sucedidas mostraram quatro caminhos possíveis para a situação atual do planeta. O mais comum, chamado “convencional”, ocorre quando manto e núcleo esfriam lentamente, como previsto por modelos anteriores, representando 72% das simulações. Outro cenário, em 18% dos casos, indica que Vênus perdeu muita água do manto, endurecendo sua crosta e bloqueando a atividade interna, causando um planeta seco e tectonicamente inativo.
Em 10% das simulações, o núcleo interno nunca se desenvolveu totalmente, prejudicando a dinâmica do planeta. E um último cenário raro mostrou grandes oscilações de temperatura e atividade interna nos primeiros 500 milhões de anos, antes de se estabilizar no estado atual. Esses caminhos diferentes mostram que pequenas mudanças nas condições iniciais podem transformar um planeta potencialmente parecido com a Terra em um verdadeiro inferno.
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