
Na noite desta quarta-feira (1), a NASA lançou com sucesso a missão Artemis 2, iniciando uma jornada de cerca de 10 dias ao redor da Lua. A bordo da espaçonave Orion, quatro astronautas seguem rumo ao espaço profundo em um voo que marca o retorno da humanidade à órbita lunar após mais de cinco décadas.
Muito além do simbolismo histórico, a missão foi estruturada para investigar como o corpo humano reage às condições do espaço profundo, especialmente fora da órbita baixa da Terra. Para isso, os próprios astronautas participam de uma série de experimentos que analisam saúde, desempenho e adaptação em um ambiente extremo. Os dados obtidos serão essenciais para orientar futuras missões tripuladas, incluindo projetos que visam levar humanos a Marte.
Um dos estudos realizados a bordo é o AVATAR, sigla em inglês para “Uma Resposta Análoga de Tecido de Astronauta Virtual”, que utiliza tecidos humanos cultivados em laboratório para simular o funcionamento de órgãos. No caso da Artemis 2, o foco está na medula óssea, responsável pela produção de células sanguíneas e fundamental para o sistema imunológico.
As amostras foram desenvolvidas a partir de células dos próprios astronautas, coletadas antes do voo. Isso permite uma análise mais precisa dos impactos da radiação espacial, considerada um dos principais riscos fora da proteção do campo magnético terrestre. A medula óssea foi escolhida justamente por sua alta sensibilidade a esse tipo de exposição.
Após o retorno da tripulação, os pesquisadores irão analisar as amostras em nível molecular, observando como milhares de genes responderam ao ambiente espacial. Os resultados serão comparados com dados da Estação Espacial Internacional (ISS) e com exames realizados nos astronautas antes e depois do voo. A expectativa é aprimorar estratégias de proteção à saúde em missões futuras.
Outro destaque é a “Pesquisa Artemis sobre Saúde e Preparação da Tripulação” (ARCHeR), que analisa como os astronautas lidam com o confinamento e as exigências do espaço profundo. O interior da Orion oferece espaço reduzido, semelhante ao de um caminhão de mudança (cerca de 9m3), o que pode afetar tanto o bem-estar físico quanto o psicológico da tripulação.
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