Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

Arranha-céus de madeira ganham força na construção moderna

Arranha-céus de madeira ganham força na construção moderna

A madeira está voltando ao centro da construção civil em projetos de grandes edifícios, impulsionada pelo uso de materiais como a madeira laminada cruzada e a laminada colada, que permitem estruturas mais altas, leves e resistentes.

Segundo a tendência descrita por arquitetos e engenheiros em um artigo do Grist, organização de mídia independente dedicada a soluções climáticas, a adoção da madeira em grandes edifícios acompanha tanto preocupações ambientais quanto avanços técnicos que permitem seu uso seguro em estruturas de grande porte.

O uso de materiais como a madeira laminada cruzada e a laminada colada, em que camadas são coladas para formar vigas mais resistentes, permite a construção de edifícios de 15, 20 e até 25 andares. Em 2022, o Ascent MKE Building, com aproximadamente 86,5 metros, foi inaugurado em Milwaukee, nos Estados Unidos, e se tornou o edifício de madeira mais alto do mundo.

Esse avanço ocorre em um contexto de aquecimento global. Árvores capturam carbono durante o crescimento e esse carbono pode ser incorporado de forma permanente às construções. Em Vancouver, no Canadá, foi concluído um edifício de 10 andares chamado The Hive, descrito como a maior estrutura de madeira com resistência sísmica do tipo na América do Norte.

Apesar do uso da madeira, as construções não dependem apenas dela para resistir a terremotos. O The Hive utiliza amortecedores Tectonus, que funcionam como grandes sistemas de absorção de energia e ajudam a recentralizar o edifício após tremores.

Em testes realizados na Universidade da Califórnia em San Diego, uma estrutura de madeira de 10 andares foi submetida a 88 simulações de terremotos. No núcleo do edifício havia uma peça de madeira em massa chamada “parede oscilante”, ancorada à fundação com hastes de aço de alta resistência. A estrutura não sofreu danos. “Teve um desempenho fenomenal”, afirmou Shiling Pei, professor da Colorado School of Mines.

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