Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

Caos cósmico: astrônomos flagram planetas ‘atrasados’ e órbitas fora de controle

Caos cósmico: astrônomos flagram planetas 'atrasados' e órbitas fora de controle

A maioria dos sistemas planetários conhecidos é estável e previsível. Planetas giram em órbitas regulares, como metrônomos, e levam milhões ou bilhões de anos para sofrer qualquer alteração significativa. Um novo sistema descoberto por astrônomos, no entanto, quebra todas essas regras. Batizado de TOI-201, ele abriga três objetos com órbitas tão distintas e uma interação gravitacional tão intensa que as mudanças podem ser observadas em tempo real — algo nunca visto antes.

A descoberta, publicada na revista Science, foi possível graças a uma combinação de telescópios ao redor do mundo, incluindo a instalação ASTEP (Busca Antártica de Exoplanetas em Trânsito), o TESS da NASA, a rede LCOGT (Chile, Austrália e África do Sul) e o satélite Gaia da ESA. O telescópio na Antártida foi particularmente importante: instalado na remota estação Concordia, a 1.200 km da costa e sobre uma geleira de 3,2 km de profundidade, ele aproveita as longas noites polares e temperaturas que chegam a -80°C para observar céus excepcionalmente estáveis.

O sistema TOI-201 orbita uma estrela 30% maior e 30% mais massiva que o Sol, mas com apenas um décimo da idade solar. Os três mundos que o compõem são radicalmente diferentes entre si:

Essa configuração é radicalmente diferente da maioria dos sistemas planetários conhecidos, que tendem a ser “como grãos numa vagem”: planetas com parâmetros similares e planos orbitais alinhados. No TOI-201, cada objeto segue seu próprio caminho, e o objeto externo, com sua órbita alongada e inclinada, exerce forte atração gravitacional sobre os mundos internos.

A primeira pista de que algo estava errado veio do TOI-201b. Astrônomos acompanhavam seus trânsitos regulares em frente à estrela quando, de repente, o planeta começou a aparecer com cerca de meia hora de atraso.

“Normalmente, os planetas são como metrônomos, com cada trânsito ocorrendo exatamente um período orbital após o outro”, explicou o professor Amaury Triaud, da Universidade de Birmingham. “Esse salto repentino foi muito surpreendente.”

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