Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

Em dez mil anos, a seleção natural segue balizando os humanos; entenda

Em dez mil anos, a seleção natural segue balizando os humanos; entenda

A seleção natural continua a desempenhar um papel ativo na evolução humana, mesmo após o surgimento da agricultura e das primeiras sociedades sedentárias. Um novo estudo revela que esse processo não apenas persistiu nos últimos dez mil anos, como pode ter se intensificado nesse período, moldando centenas de genes em populações da Eurásia Ocidental.

A pesquisa, publicada na Nature, foi conduzida por uma equipe liderada por cientistas da Harvard University (EUA), que analisaram quase 16 mil genomas antigos extraídos de esqueletos encontrados em diferentes regiões da Europa e partes do Oriente Médio. Esse conjunto, descrito como uma “quantidade sem precedentes de dados genômicos antigos”, foi combinado com mais de 6,4 mil genomas modernos.

Os dados foram processados por um algoritmo capaz de rastrear a disseminação e o declínio de variantes genéticas ao longo do tempo. A metodologia permitiu identificar quais mudanças foram resultado direto da seleção natural — conhecida como seleção direcional —, descartando influências de outros fatores, como migrações humanas, mistura entre populações e flutuações genéticas aleatórias comuns em grupos pequenos.

Como resultado, os cientistas identificaram pelo menos 479 variantes genéticas — também chamadas de alelos — que sofreram forte seleção positiva ou negativa na Eurásia Ocidental ao longo dos últimos dez milênios. Antes desse estudo, apenas algumas dezenas de variantes recentes haviam sido associadas a esse tipo de processo evolutivo.

Os resultados também indicam que a taxa de seleção natural aumentou após a transição das sociedades humanas de caçadoras-coletoras para agrícolas, ocorrida depois do fim da última era glacial.

“Com essas novas técnicas e grande quantidade de dados genômicos antigos, agora, podemos observar como a seleção moldou a biologia em tempo real”, afirmou Ali Akbari, primeiro autor do estudo e cientista sênior no laboratório do geneticista David Reich, em comunicado. “Em vez de procurar pelas marcas deixadas pela seleção natural em genomas atuais usando modelos simples e suposições, podemos deixar que os dados falem por si.”

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