
Um artigo publicado nesta quinta-feira (7) na revista Nature Astronomy revela que os buracos negros mais massivos do Universo não surgem diretamente do colapso de estrelas. Segundo o estudo, essas estruturas extremas se formam após sucessivas fusões ao longo do tempo.
Os pesquisadores explicam que essas colisões acontecem em aglomerados estelares extremamente densos, onde a proximidade entre estrelas favorece encontros frequentes. Nesse ambiente, buracos negros podem se fundir várias vezes, crescendo em massa de forma progressiva e criando objetos muito maiores do que os formados em uma única explosão estelar.
O trabalho foi liderado pela Universidade de Cardiff, no Reino Unido, e se baseou em dados do catálogo Transientes de Ondas Gravitacionais (GWTC-4), do projeto LIGO–Virgo–KAGRA, que reúne 153 detecções confiáveis de fusões de buracos negros observadas por ondas gravitacionais, permitindo investigar como esses objetos se formam e evoluem ao longo do Universo.
Com base nessas análises, os pesquisadores avaliaram a hipótese de que os buracos negros mais massivos seriam de “segunda geração”. Isso significa que eles teriam se formado a partir de fusões anteriores, em regiões como núcleos de aglomerados estelares, onde a densidade de estrelas pode ser até um milhão de vezes maior que na vizinhança do Sol.
Os resultados apontam duas populações distintas. Uma delas reúne buracos negros de menor massa, compatíveis com o colapso direto de estrelas. A outra inclui objetos mais massivos, com padrões de rotação que indicam fusões repetidas, sugerindo um crescimento em etapas dentro de ambientes muito densos.
Segundo os autores, o mais surpreendente foi a clara separação entre os grupos. Os buracos negros mais massivos apresentam rotações mais rápidas e orientações aleatórias, um padrão que combina com a ideia de múltiplas fusões sucessivas em aglomerados estelares densos, e não com sistemas estelares isolados.
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