Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Proteínas de dentes antigos reescrevem evolução humana

Proteínas de dentes antigos reescrevem evolução humana

Pesquisadores identificaram proteínas preservadas em dentes de Homo erectus com cerca de 400 mil anos que podem revelar novas conexões na evolução humana. O estudo analisou seis dentes encontrados em três sítios arqueológicos da China e detectou uma variante genética também presente nos enigmáticos denisovanos, grupo de hominídeos ainda pouco compreendido pela ciência.

Os resultados sugerem que diferentes populações humanas antigas podem ter interagido e compartilhado material genético na Ásia há centenas de milhares de anos. A pesquisa foi liderada pela paleoantropóloga Qiaomei Fu, do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da China, e publicada na revista Nature.

Os dentes examinados vieram dos sítios arqueológicos de Zhoukoudian, Hexian e Sunjiadong. Segundo os pesquisadores, o material é antigo demais para preservar DNA em condições normais.

Para contornar essa limitação, a equipe analisou proteínas presentes no esmalte dentário. Como o esmalte é extremamente resistente, ele consegue conservar fragmentos moleculares por períodos muito maiores do que outros tecidos orgânicos.

Os cientistas identificaram duas variantes hereditárias incomuns da proteína do esmalte chamada ameloblastina. Uma delas nunca havia sido registrada em outros hominídeos conhecidos, o que pode indicar uma linhagem específica de Homo erectus do Leste Asiático.

A segunda variante já havia sido observada anteriormente em denisovanos. Para os autores, isso pode representar evidência de contato entre populações relacionadas aos dois grupos.

Compartilhe