
Um artigo publicado no periódico The Astrophysical Journal revelou que o gigantesco aglomerado de galáxias Abell 2029, considerado por décadas um dos ambientes mais calmos do Universo, esconde sinais de um passado extremamente turbulento.
Novas observações feitas pelo Observatório de Raios X Chandra, da NASA, mostram que a estrutura ainda sofre os efeitos de uma colisão cósmica ocorrida há cerca de quatro bilhões de anos.
Localizado na constelação de Virgem, a quase um bilhão de anos-luz da Terra, o Abell 2029 reúne mais de mil galáxias mantidas juntas pela força da gravidade. Esses aglomerados estão entre as maiores estruturas do cosmos e são preenchidos por enormes quantidades de gás superaquecido, capaz de emitir radiação em raios X. Durante muito tempo, os astrônomos acreditaram que essa região estava praticamente estável e sem grandes perturbações.
No centro do aglomerado está a colossal galáxia IC 1101, considerada uma das maiores já identificadas. Seu diâmetro estimado chega a quase 6 milhões de anos-luz. No núcleo dessa galáxia existe ainda um buraco negro supermassivo extremamente ativo, responsável por liberar enormes quantidades de energia no ambiente ao redor.
Desde os anos 1990, pesquisadores descreviam o Abell 2029 como um “aglomerado tranquilo”. Estudos recentes feitos pela Missão de Imageamento e Espectroscopia em Raios X (XRISM), do Japão, reforçaram essa ideia ao detectar níveis muito baixos de turbulência no gás quente entre as galáxias. Isso indicava que o sistema não havia passado recentemente por fusões violentas ou grandes colisões.
Mas um terceiro estudo realizado pelo mesmo observatório começou a levantar dúvidas sobre essa aparente calmaria. Os cientistas identificaram bolsões de gás mais frio espalhados dentro da atmosfera extremamente quente do aglomerado. Segundo os pesquisadores, essas regiões poderiam ser vestígios de movimentos antigos causados por uma colisão gigantesca ocorrida bilhões de anos atrás.
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