Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

DNA de fóssil ajuda a recriar rosto de mulher que viveu há 45 mil anos na Europa

DNA de fóssil ajuda a recriar rosto de mulher que viveu há 45 mil anos na Europa

A análise digital e manual do crânio de Zlatý kůň, pertencente a uma mulher que viveu há cerca de 45 mil anos na atual República Tcheca, permitiu a reconstrução facial daquela que é considerada uma das primeiras populações humanas a habitar o continente europeu após a saída da África. O trabalho detalha as feições físicas desse espécime fóssil considerado único e excepcionalmente bem preservado.

A investigação revelou que os pioneiros a se estabelecerem na Europa possuíam traços robustos, como rostos amplos e narizes largos, o que evidencia a proximidade evolutiva do indivíduo com as populações que habitavam o continente africano. Os resultados foram obtidos a partir de três aproximações faciais independentes. E publicados originalmente na revista científica npj heritage science.

Para recriar o rosto da mulher pré-histórica, cujo crânio foi descoberto originalmente em 1950 e hoje está abrigado no Museu Nacional de Praga, os pesquisadores executaram três técnicas distintas de reconstrução. 

O primeiro método, que gerou o modelo A, mapeou a espessura dos tecidos moles e os músculos faciais conhecidos diretamente sobre o fóssil. Para o modelo B, os cientistas recrutaram a paleoartista e escultora Élisabeth Daynès, que utilizou os dados da equipe para produzir uma “aproximação facial manual hiperrealista”. Por fim, o modelo C consistiu numa aproximação virtual gerada a partir do mapeamento digital de 78 pontos de referência anatômicos ósseos no crânio.

Os resultados finais apontaram divergências morfológicas entre as técnicas manuais e o mapeamento digital. Enquanto as versões analógicas traduziram as características esqueléticas locais de forma direta, o modelo virtual foi limitado pela deformação de um modelo de referência europeu moderno. 

“Narizes curtos e largos, ponte nasal larga, mas uma ponta nasal arredondada menos proeminente” foram os traços exibidos pelos modelos A e B, descreve o IFLScience sobre as conclusões do estudo. Em contrapartida, a reconstrução virtual exibiu uma testa mais arqueada e queixo pontudo. “Uma forma facial distintamente triangular” caracterizou o modelo C obtido por meio do processo digital, aponta o site.

Compartilhe