Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Maior lua do Sistema Solar parece estar aquecendo

Maior lua do Sistema Solar parece estar aquecendo

Um artigo publicado este mês na revista Science Advances sugere que Ganimedes, a maior lua de Júpiter, pode estar passando por um processo interno de aquecimento ainda não observado em outros corpos celestes. O estudo indica que esse fenômeno pode estar ligado à formação e à manutenção do campo magnético do satélite.

Ganimedes é uma das quatro luas galileanas de Júpiter e a maior do Sistema Solar, com cerca de 5.300 quilômetros de diâmetro, sendo maior até do que o planeta Mercúrio. Entre mais de 100 luas jovianas conhecidas, se destaca não somente pelo tamanho, como também por sua estrutura interna, alvo de investigações.

Além disso, também possui um campo magnético próprio, o único confirmado desse tipo entre satélites naturais. Essa lua foi detectada em 1996 pela sonda Galileo, da NASA, e é gerada por um processo chamado dínamo. Nesse mecanismo, o movimento de ferro líquido no interior do corpo celeste produz correntes elétricas capazes de gerar um campo magnético ao redor da lua.

Apesar dessa confirmação, a origem desse sistema ainda é motivo de debate. Alguns modelos sugerem que o núcleo metálico teria se formado muito cedo, ainda na origem de Ganimedes. Outros indicam que a lua pode ter surgido em condições frias demais para permitir a formação inicial de um núcleo totalmente metálico, o que cria uma contradição entre as hipóteses tradicionais.

Para resolver esse impasse, o novo estudo propõe um mecanismo alternativo. Segundo os pesquisadores, pequenas “bolhas” de ferro fundido poderiam afundar lentamente em direção ao centro da lua, alimentando o dínamo de forma gradual. Esse processo não seria apenas histórico, mas possivelmente ainda ativo nos dias atuais.

O modelo depende de duas fontes principais de calor. A primeira é o aquecimento radioativo, gerado pela decomposição de elementos instáveis presentes no interior da lua ao longo de bilhões de anos. A segunda é o aquecimento de maré, provocado pela intensa gravidade de Júpiter, que comprime e estica Ganimedes durante sua órbita. Esse movimento constante gera atrito interno e libera energia térmica.

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