Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Cirurgiões usavam planta venenosa como anestesia na China

Cirurgiões usavam planta venenosa como anestesia na China

Um estudo publicado nesta terça-feira (26) na revista Antiquity revela a evidência química mais antiga já encontrada de um anestésico usado em cirurgias. A descoberta foi feita a partir da análise de instrumentos médicos de ferro encontrados em um túmulo da antiga China, datado de cerca de 600 anos atrás.

Os objetos pertenciam ao período da Dinastia Ming, que governou a China entre os séculos XIV e XVII. Entre os itens analisados estavam uma tesoura e uma pinça de ferro, descobertas décadas atrás no túmulo de Xia Quan, na cidade de Jiangyin, localizada próxima de Xangai.

Pesquisadores da Universidade do Noroeste identificaram vestígios químicos de uma substância anestésica nas ferramentas. Segundo os cientistas, o composto provavelmente era produzido a partir do acônito chinês, uma planta extremamente venenosa, mas conhecida há séculos por suas propriedades analgésicas na medicina tradicional asiática.

De acordo com os autores do estudo, os médicos da época conseguiam reduzir a toxicidade da planta antes de utilizá-la em pacientes. Para isso, misturavam o acônito com substâncias ácidas, como vinagre, feijão-mungo e até urina, prática registrada em textos médicos antigos da Dinastia Ming.

O arqueólogo Congcang Zhao, um dos responsáveis pela pesquisa, afirmou que a descoberta mostra o alto nível de conhecimento médico existente na China há seis séculos. Segundo ele, os profissionais conseguiam equilibrar os efeitos medicinais da substância sem colocar os pacientes em risco excessivo.

Para analisar os instrumentos, os cientistas utilizaram técnicas modernas que não danificam peças históricas. Primeiro, eles confirmaram que os objetos eram feitos de ferro por meio de fluorescência de raios X, método capaz de identificar elementos químicos presentes em materiais antigos.

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