
Enquanto turistas aproveitam os dias de sol para subir na catedral de Notre Dame e ver suas gárgulas, quatro metros abaixo deles, arqueólogos trabalham cavando para baixo, rumo a Paris (França) romana de dois mil anos atrás, segundo divulgado com exclusividade pela Associated Press.
O contraste é ainda mais marcante porque o local carrega a memória recente do incêndio de 2019, quando a agulha da catedral desabou. Reconstruída, Notre Dame reabriu no fim de 2024. Agora, Paris quer transformar a praça existente diante do templo em um espaço com árvores e áreas mais frescas.
Mas, em uma cidade tão antiga, o solo não pode ser mexido antes que o que está embaixo seja escavado, para evitar danos durante as obras. Por isso, uma parte do adro de Notre Dame virou um sítio arqueológico: uma grande escavação aberta, cercada por barreiras e atravessada por uma passarela de madeira, a poucos passos da fila de visitantes.
A imprensa francesa já apelidou o trabalho de “escavação do século”. Para Lucie Altenburg, conservadora da unidade de arqueologia de Paris, trata-se de uma oportunidade rara. “É uma chance rara para nós trabalharmos em algo que vai, de forma tangível, fazer diferença para a história de Paris”, disse ela à AP.
Em Atenas (Grécia), a construção do metrô para os Jogos Olímpicos de 2004 deflagrou a maior escavação da história grega e revelou dezenas de milhares de objetos, hoje expostos nas próprias estações. Paris não é diferente.
Tudo remonta à Île de la Cité, no rio Sena, onde Paris começou. Séculos depois, Notre Dame ergueu-se sobre o mesmo terreno.
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