
Pesquisadores do Instituto Politécnico Rensselaer (RPI), em Nova York (EUA), descobriram um organismo microscópico capaz de se transformar num “supergigante” canibal. Ele altera drasticamente seu tamanho, forma e comportamento, abandonando a alimentação por filtração para caçar e consumir seus parentes.
O estudo, publicado na capa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostra como organismos unicelulares são capazes de se desenvolverem de forma complexa e regulada, algo que os cientistas estudaram principalmente em animais multicelulares.
O organismo, Euplotes gigatrox, é uma espécie coletada na ilha caribenha de Curaçao, num sistema de filtragem de água do mar. Em populações clonais desses organismos, nas quais as células compartilham o mesmo DNA, um pequeno número de células pode se desenvolver espontaneamente em supergigantes. Elas têm mais do que o dobro do comprimento das células normais, com um corpo mais largo e uma “boca” maior.
Em vez de se alimentarem de bactérias por filtração, como fazem as células normais, as supergigantes se tornam predadoras, atropelando parentes clonais menores para capturá-los e engoli-los inteiros, a uma taxa de aproximadamente uma presa a cada dez minutos.
“Trata-se de uma única célula fazendo algo que geralmente associamos ao desenvolvimento de animais”, disse o principal autor do estudo, Ben T. Larson, em comunicado.
“Isso amplia nossa compreensão do que os organismos unicelulares são capazes de fazer e nos dá um novo sistema para investigar como as células controlam sua forma e função”, acrescentou o Ph.D. e professor assistente do Departamento de Ciências Biológicas do RPI.
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