
Uma nova pesquisa indica que buracos negros formados logo após o Big Bang podem durar muito mais do que as estimativas anteriores previam. Segundo o estudo, esses objetos, chamados de buracos negros primordiais, poderiam sobreviver tempo suficiente para passar por uma transformação e adquirir as propriedades de buracos brancos, com massa equivalente à de um fio de sobrancelha humana.
Os buracos negros primordiais teriam se formado a partir de flutuações na matéria extremamente quente e densa que preencheu o Universo momentos após o Big Bang – o que os diferencia dos buracos negros de massa estelar, originados pelo colapso de estrelas massivas. Esses objetos ainda não foram detectados e permanecem hipotéticos.
Muitos cientistas acreditam que buracos negros primordiais de baixa massa já evaporaram e não existem mais no Universo de 13,8 bilhões de anos. Isso seria possível porque buracos negros “vazam” um tipo de radiação térmica chamada radiação Hawking, formulada por Stephen Hawking na década de 1970. Quanto menor a massa de um buraco negro, mais quente ele é e, portanto, mais rapidamente perde energia por essa radiação e se evapora – processo que, segundo especulações, terminaria com um final explosivo.
Buracos negros de massa estelar, com até centenas de vezes a massa do Sol, são massivos e frios o suficiente para vazar tão lentamente que sobreviveriam ao Universo muitas vezes. Já buracos negros primordiais com massas muito menores não teriam essa sorte – ou assim se pensava. Daniel Paraizo, pesquisador do Eberly College of Science, na Pensilvânia, EUA, e seus colegas propõem que buracos negros primordiais com a massa certa poderiam sobreviver a esse processo e passar por uma transformação surpreendente.
“Descobrimos que o tempo de vida dos buracos negros é muito maior do que se pensava anteriormente”, disse Paraizo ao Space.com. “Os fenômenos que identificamos são relevantes para buracos negros possivelmente formados no Universo primitivo. Esses objetos ainda não foram observados, mas sua busca é um tema de intenso interesse como candidatos à matéria escura. Os buracos negros começam a morrer emitindo radiação Hawking térmica. O enigma é o que acontece quando eles atingem a massa de Planck, que é de cerca de 20 microgramas.”
A massa de Planck, de cerca de 0,000000022 kg, é uma unidade fundamental de massa na física – o ponto em que as regras que governam partículas subatômicas e mecânica quântica e as que governam a gravidade e a relatividade geral tornam-se igualmente importantes. Os físicos a consideram o limite superior para a massa de qualquer partícula elementar individual: qualquer partícula acima desse valor colapsaria para dar origem a um buraco negro microscópico. Em termos cotidianos, a massa de Planck equivale aproximadamente a um fio de sobrancelha humana ou a um ovo de pulga – cerca de cinquenta mil vezes mais leve do que uma bala de goma.
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