Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de junho de 2026 · 2 min de leitura ·

Nova técnica mexe em DNA de embriões sem causar ‘danos catastróficos’

Nova técnica mexe em DNA de embriões sem causar 'danos catastróficos'

Cientistas da Universidade de Columbia, liderados pelo geneticista Dieter Egli, conseguiram editar o DNA de embriões humanos com precisão inédita utilizando uma técnica avançada chamada edição de bases. 

O avanço, publicado neste mês, abre caminhos para corrigir mutações causadoras de doenças hereditárias diretamente no embrião. Mas reacende debates bioéticos sobre a possibilidade de modificação genética para a escolha de características personalizadas.

A nova metodologia superou os danos estruturais graves ao genoma que eram frequentemente observados em testes anteriores com a ferramenta CRISPR. Apesar do sucesso em alterar genes ligados ao colesterol e à hemoglobina, os pesquisadores alertam que o processo ainda gera embriões mosaicos (compostos por células editadas e não editadas). E isso exige mais investigações antes de qualquer aplicação clínica.

Para testar a precisão da abordagem, a equipe de Egli introduziu os editores de base em óvulos fertilizados e embriões de duas células doados. Os alvos foram dois genes: o PCSK9, associado ao risco de níveis elevados de LDL e doenças cardíacas; e o HBG, que direciona a produção de hemoglobina em fetos. Os cientistas conseguiram alterar ambos os genes, inclusive de forma simultânea no mesmo embrião, sem detectar os danos cromossômicos massivos da antiga técnica.

Essa evolução resolve um problema crucial identificado pelo próprio laboratório de Egli em 2020, quando testaram o CRISPR convencional para corrigir uma mutação de cegueira hereditária no gene EYS. Naquela ocasião, metade dos embriões falhou em reparar o corte, resultando na perda de longos pedaços de DNA ou na destruição total do cromossomo. 

Em entrevista ao jornal The New York Times, Egli classificou os resultados anteriores como detentores de “consequências absolutamente catastróficas”. Foi isso que motivou a migração para a técnica de edição de bases, desenvolvida originalmente por David Liu em 2016.

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