Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de junho de 2026 · 2 min de leitura ·

“Mundo perdido” é encontrado sob o gelo da Antártica

"Mundo perdido" é encontrado sob o gelo da Antártica

Sob a espessa camada de gelo da Antártida Oriental, cientistas recentemente identificaram uma vasta formação geológica até então desconhecida, composta por dezenas de bacias interligadas e organizadas em padrão semelhante a um leque. A descoberta foi feita por uma equipe internacional liderada pelo geofísico Egidio Armadillo, da Universidade de Gênova, a partir da análise de diferentes tipos de dados do subsolo. Você pode ler o trabalho aqui.

O conjunto de bacias, batizado de East Antarctic Fan-Shaped Basin Province, ocupa uma área em que o gelo pode ultrapassar milhares de metros de espessura. Os pesquisadores analisaram sinais de radar, variações gravitacionais, registros sísmicos e campos magnéticos para reconstruir o relevo oculto sob a calota polar.

Segundo o estudo publicado na Nature, a estrutura pode ter se originado antes da separação do supercontinente Gondwana e ainda hoje influencia o comportamento do gelo na região, ajudando a moldar o deslocamento das massas glaciais e a evolução do relevo antártico.

A análise integrada dos dados permitiu identificar cerca de 30 bacias subterrâneas conectadas entre si. Em conjunto, elas formam um desenho que se expande a partir de um ponto central próximo ao Polo Sul, criando um padrão radial que chamou a atenção dos pesquisadores.

Conforme os autores da pesquisa, esse arranjo sugere que a crosta terrestre na região pode ter sofrido um processo de expansão em torno de um ponto fixo, semelhante à abertura de um leque. Essa dinâmica, conhecida na literatura geológica como extensão rotacional, teria sido responsável por moldar a geometria observada.

O estudo indica ainda que a configuração não parece aleatória. As semelhanças entre as bacias, associadas a padrões de espessura da crosta e relevo, reforçam a hipótese de um mecanismo tectônico comum atuando ao longo do tempo, conforme explica o site Science Alert.

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