
A fusão nuclear é considerada uma das maiores promessas para o futuro da energia. Capaz de gerar quantidades gigantescas de eletricidade com baixo impacto ambiental e alto nível de segurança, ela está no centro de uma corrida tecnológica global que envolve governos, universidades e empresas privadas. Apesar do potencial, ainda enfrenta desafios científicos importantes antes de se tornar uma realidade comercial.
A Avalanche Energy informou ao TechCrunch que seu protótipo de reator de fusão em escala de mesa ultrapassou uma marca considerada central pelos físicos da área: o aquecimento de um plasma a mais de 10 milhões de graus Celsius. O equipamento atingiu aproximadamente 11 milhões de graus Celsius — temperatura comparável à do centro do Sol.
Apenas um pequeno número de empresas chegou a esse patamar. A Avalanche afirma ter alcançado o resultado tendo gasto menos de US$ 50 milhões (R$ 259,7 milhões) em investimento de capital de risco — valor inferior ao que a maioria das startups de fusão consumiu para chegar ao mesmo ponto.
A fusão nuclear é o processo em que dois núcleos atômicos leves se unem para formar um núcleo mais pesado, liberando uma enorme quantidade de energia — o mesmo fenômeno que alimenta o Sol e todas as estrelas.
Como explica o físico Gustavo Canal, professor da USP, em entrevista ao Olhar Digital, trata-se do processo inverso ao das usinas nucleares atuais: em vez de quebrar átomos pesados (fissão), a fusão une átomos leves.
Segundo ele, “ao invés de você pegar um núcleo grande e partir em dois pequenos, você pode pegar dois núcleos pequenos, por exemplo, de hidrogênio, e fundi-los para gerar um núcleo maior”. O resultado é impressionante: por quilograma de combustível, a fusão libera cerca de três a quatro vezes mais energia do que a fissão — e milhões de vezes mais do que os combustíveis fósseis.
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