
Em um mundo cada vez mais globalizado, falar mais de um idioma tornou-se comum para bilhões de pessoas. Estimativas da plataforma de aprendizado de idiomas, Kylian AI indicam que cerca de 60% da população mundial é bilíngue ou multilíngue. Mas como o cérebro organiza e “muda” de idioma?
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Nova Iorque (NYU), publicado nesta semana na revista científica The Journal of Neuroscience (JNeurosci), investigou a atividade cerebral de pessoas bilíngues e revelou que o cérebro pode utilizar o mesmo mecanismo neural para processar idiomas distintos.
Por muito tempo, cientistas acreditavam que pessoas bilíngues poderiam ativar padrões diferentes do cérebro dependendo da língua que estivessem falando. O novo estudo, porém, sugere que a história pode ser mais simples.
A pesquisa analisou 23 participantes fluentes em espanhol e inglês. Os voluntários foram submetidos a exames de magnetoencefalografia (MEG), técnica capaz de registrar a atividade cerebral em intervalos curtos. Durante o experimento, eles liam palavras em uma tela e as transformavam do singular para o plural, do plural para o singular ou apenas as repetiam. Enquanto isso, os cientistas monitoravam as respostas cerebrais geradas antes, durante e depois da fala.
Com os resultados obtidos, os pesquisadores observaram que os padrões da atividade cerebral eram praticamente os mesmos, independentemente do idioma utilizado. Segundo a neurocientista Esti Blanco-Elorrieta, uma das autoras do estudo, o resultado sugere que as duas línguas estão muito mais integradas no cérebro do que se imaginava anteriormente.
Os cientistas também verificaram que a semelhança dos padrões do cérebro continuava mesmo quando as palavras utilizadas não possuíam equivalentes diretos entre espanhol e inglês.
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