
Com base na análise do elemento químico berílio, um estudo colaborativo indica que sistemas planetários estáveis — capazes de sustentar a vida — podem ser incomuns no Universo.
Cientistas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, em colaboração com pesquisadores da Polônia, Austrália, China e Itália, descobriram uma nova maneira de identificar estrelas que engoliram seus planetas, baseando-se unicamente na composição química de um único elemento: o berílio.
O estudo, descrito em artigo publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics, sugere que sistemas planetários estáveis, como o nosso Sistema Solar, com potencial para o desenvolvimento de formas complexas de vida, podem ser menos comuns do que se pensava anteriormente.
Para distinguir entre esses dois cenários, os astrônomos recorrem às pistas contidas na composição química das estrelas. “Podemos separar os elementos químicos em dois grupos: aqueles geralmente encontrados no estado gasoso, chamados elementos voláteis, e aqueles geralmente encontrados no estado sólido, chamados elementos refratários”, explicou a astrônoma Anne Rathsam, doutoranda do IAG e principal autora do estudo, ao Jornal da USP.
“Se as diferenças entre as estrelas resultam da ingestão de um planeta rochoso por uma delas, esperamos que os elementos refratários apresentem as maiores diferenças. Por outro lado, se as diferenças são primordiais e causadas por sua formação, elementos refratários e voláteis se comportariam, em princípio, de forma semelhante.”
Os pesquisadores também realizaram um estudo detalhado de dois elementos refratários que podem fornecer pistas essenciais: o lítio e o berílio. “Esses elementos são lentamente destruídos pelas estrelas conforme envelhecem e, portanto, é fácil identificar uma quantidade de lítio ou berílio maior do que a esperada”, disse Rathsam.
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