
Um estudo baseado em fósseis revelou que o gado presente atualmente no Pampa brasileiro não consegue ocupar todos os papéis ecológicos deixados por grandes mamíferos extintos há cerca de 12 mil anos.
A investigação mostra que o desaparecimento da megafauna reduziu a diversidade do bioma e alterou funções importantes exercidas pelos animais no equilíbrio do ambiente.
Publicado na revista Functional Ecology e divulgado pelo Jornal da USP, o trabalho comparou três momentos da história do Pampa: o Pleistoceno, antes da extinção da megafauna; o Holoceno, após esse desaparecimento; e o período atual, que inclui espécies introduzidas pelos humanos.
A pesquisa teve participação de Thayara Carrasco, pós-doutoranda do Instituto de Biociências (IB) da USP, além de pesquisadores da própria universidade e da Swansea University, no Reino Unido.
Para entender como o ambiente mudou, a equipe recorreu aos fósseis encontrados na região. Características como tamanho corporal, alimentação e habitat ajudaram a indicar quais funções ecológicas foram perdidas com o fim de grandes espécies.
Os dados revelam que a extinção ocorrida na transição entre o Pleistoceno e o Holoceno provocou uma redução de 30% na diversidade de mamíferos terrestres e uma queda de 40% na diversidade funcional do Pampa brasileiro.
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