Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de julho de 2026 · 2 min de leitura ·

Efeitos do El Niño podem chegar ao seu prato (e ao seu bolso)

Efeitos do El Niño podem chegar ao seu prato (e ao seu bolso)

O El Niño não é novidade para a ciência, mas seus efeitos podem ser cada vez mais extremos em um planeta que bate recordes de aquecimento. O fenômeno climático, que se desenvolve no Oceano Pacífico, deve provocar alterações no clima em diversas partes do mundo nos próximos meses. Entre as consequências esperadas estão a redução das chuvas das monções no leste e sudeste asiático e novos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul.

Além do impacto humano, esse cenário é relevante, uma vez que as regiões da Ásia citadas concentram a maior parte da produção mundial de arroz, e o estado do sul brasileiro representa cerca de 70% do cultivo do cereal no país. O cenário preocupa, já que uma queda simultânea na produção pode reduzir a oferta de arroz e pressionar a inflação dos alimentos, com impactos que podem chegar ao consumidor brasileiro.

O arroz é uma cultura que exige grandes quantidades de água durante boa parte do seu desenvolvimento. Por isso, grande parte das lavouras é cultivada em áreas alagadas ou depende diretamente das chuvas.

Em artigo publicado no The Conversation, o pesquisador Vito Butardo Jr., da Universidade de Tecnologia de Queensland, explica que um El Niño severo pode enfraquecer as monções na Ásia, diminuindo as chuvas e aumentando a temperatura.

O leste e o sudeste asiático representam cerca de 60% da produção mundial de arroz, concentrando alguns dos maiores produtores do planeta, como China, Indonésia, Vietnã e Tailândia. Assim, uma quebra de safra nessas regiões pode reduzir rapidamente a disponibilidade do cereal.

Com o risco de seca concentrado na Ásia, o Brasil pode enfrentar um problema diferente. Durante episódios de El Niño, o Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 70% da produção nacional de arroz, segundo dados da Conab, costuma registrar chuvas acima da média. O excesso de precipitação pode dificultar o plantio e comprometer a colheita.

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