Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de julho de 2026 · 2 min de leitura ·

“Hobbits” pré-históricos podem não ter caçado nem usado fogo

"Hobbits" pré-históricos podem não ter caçado nem usado fogo

Uma nova pesquisa publicada na revista científica Science Advances sugere que o Homo floresiensis, espécie humana extinta conhecida como “hobbit”, não caçava grandes animais nem controlava o uso do fogo. O estudo, divulgado na sexta-feira (3), analisou marcas preservadas em fósseis encontrados na caverna de Liang Bua, na ilha de Flores, na Indonésia, e propõe uma nova interpretação sobre o comportamento dessa espécie.

A investigação foi conduzida por uma equipe internacional de pesquisadores e pode influenciar o debate sobre a origem evolutiva do Homo floresiensis. Segundo os autores, as evidências indicam que esses hominínios consumiam restos de animais deixados por dragões-de-komodo, em vez de abater suas próprias presas, o que coloca em dúvida hipóteses anteriores sobre seu nível de sofisticação comportamental.

O Homo floresiensis foi descoberto em 2003 e recebeu o apelido de “hobbit” por causa de sua baixa estatura, de cerca de 106 centímetros, além do cérebro pequeno, dentes grandes e pés desproporcionalmente grandes. Evidências encontradas no mesmo sítio arqueológico, como ferramentas de pedra, ossos com marcas de corte e fragmentos considerados queimados, haviam levado pesquisadores a sugerir que a espécie caçava e utilizava o fogo.

No novo estudo, os cientistas concentraram a análise em ossos fósseis de Stegodon florensis insularis, um parente extinto dos elefantes que viveu na ilha de Flores. O objetivo era determinar se as marcas presentes nos ossos haviam sido produzidas durante uma caçada ou se eram resultado do aproveitamento de carcaças já consumidas por outros predadores.

Para diferenciar as marcas deixadas por ferramentas de pedra das produzidas pelos dentes de dragões-de-komodo, os pesquisadores realizaram um experimento com um animal mantido no Zoo Atlanta. Um dragão-de-komodo recebeu a carcaça de uma cabra como alimento e, posteriormente, o esqueleto foi recuperado para documentar detalhadamente marcas, perfurações, entalhes e sulcos deixados pelos dentes do réptil.

A análise mostrou que os dragões concentravam o consumo nas regiões com maior quantidade de carne. Em seguida, os pesquisadores compararam esse padrão aos ossos fósseis do Stegodon encontrados em Liang Bua.

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