Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de julho de 2026 · 2 min de leitura ·

Poucos átomos de espessura: novo material promete revolução quântica

Poucos átomos de espessura: novo material promete revolução quântica

Pesquisadores da Universidade de Southampton e da Universidade Nacional de Singapura anunciaram uma técnica para fabricar heteroestruturas bidimensionais sem o uso dos polímeros normalmente empregados nesse processo. O estudo foi publicado recentemente na revista Nature Communications.

A proposta substitui materiais sintéticos adesivos por cristais naturais de muscovita, um tipo de mica, reduzindo a contaminação microscópica que costuma comprometer a qualidade das estruturas formadas por camadas de poucos átomos de espessura.

O avanço pode ampliar a precisão das pesquisas com materiais quânticos e favorecer o desenvolvimento de componentes eletrônicos mais rápidos e confiáveis, já que a limpeza das superfícies é considerada um fator decisivo para o desempenho desses dispositivos.

A produção de materiais bidimensionais depende da sobreposição de camadas atômicas extremamente finas. Nos métodos convencionais, essa montagem costuma utilizar polímeros sintéticos, mas esses materiais deixam resíduos microscópicos capazes de alterar o comportamento eletrônico das estruturas.

Para contornar esse problema, a equipe recorreu à muscovita, um mineral conhecido como mica. Segundo os pesquisadores, por se tratar de um cristal inorgânico, o material oferece uma superfície mais uniforme e reduz significativamente a presença de contaminantes durante a montagem das heteroestruturas.

O trabalho também mostrou que essa substituição permite posicionar as camadas atômicas com maior precisão. Esse controle é importante porque determinados materiais bidimensionais passam a apresentar propriedades completamente diferentes quando são empilhados em ângulos específicos.

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