
Há 252 milhões de anos, 96% das espécies marinhas e 70% dos animais terrestres desapareceram num evento conhecido como “A Grande Morte”: a maior extinção em massa da história da Terra. A causa exata sempre foi debatida. Agora, um novo estudo liderado pela Universidade Stanford diz ter a resposta definitiva.
“Este estudo é realmente o prego final no caixão sobre o que causou a extinção Permiano-Triássica”, disse Erik Sperling, autor sênior do estudo e professor da Escola de Sustentabilidade Stanford Doerr, em comunicado da universidade. O estudo foi publicado em 6 de julho no Proceedings of the National Academy of Sciences.
A extinção foi desencadeada por uma enorme erupção vulcânica que lançou quantidades colossais de CO₂ e metano na atmosfera, aquecendo o planeta e retirando o oxigênio dos oceanos. O que o novo estudo acrescenta é a explicação de por que alguns animais sobreviveram e outros não.
Os animais que dominavam os oceanos antes da extinção – braquiópodes, lírios-do-mar e certos corais – tinham metabolismos lentos e viviam no fundo do mar praticamente imóveis. Quando as águas aqueceram e perderam oxigênio, esses organismos não conseguiram se adaptar. Seus metabolismos lentos não conseguiam acompanhar a demanda crescente de oxigênio causada pelo aumento de temperatura.
Já os moluscos, peixes e equinodermos – como polvos, mariscos, ouriços-do-mar e estrelas-do-mar – tinham metabolismos mais rápidos e corpos mais musculosos, capazes de extrair oxigênio mesmo em condições adversas. Eles sobreviveram. E dominam os oceanos até hoje.
A diferença entre os sobreviventes e as vítimas fica clara numa comparação simples. Antes da Grande Morte, os braquiópodes superavam em número as ostras e mariscos. Hoje, existem apenas cerca de 400 espécies de braquiópodes – contra 10.000 a 15.000 espécies de bivalves.
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