Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de julho de 2026 · 2 min de leitura ·

O asteroide que apagou os dinossauros era mais estranho do que se pensava

O asteroide que apagou os dinossauros era mais estranho do que se pensava

Uma investigação internacional identificou que o corpo celeste responsável pelo impacto de Chicxulub, associado ao desaparecimento dos dinossauros não aviários, tinha uma composição diferente da esperada por algumas teorias. A análise de metais preservados na camada geológica ligada ao fim do período Cretáceo indicou uma origem específica entre os asteroides conhecidos.

O estudo examinou assinaturas isotópicas de níquel encontradas em sedimentos espalhados pelo planeta na chamada fronteira KPg, marco que separa o Cretáceo do Paleógeno. Os resultados apontaram que o responsável pelo impacto era um condrito carbonáceo da rara classe Ornans, um tipo de meteorito pouco representado nas coleções terrestres.

A pesquisa, que contou com a participação do pesquisador Philippe Claeys, da Universidade da Colúmbia Britânica, foi divulgada na revista Science Advances. A descoberta reforça que a extinção ocorreu após a colisão com um asteroide incomum e distante, mas também coloca em dúvida o papel atribuído ao enxofre liberado pelo próprio objeto na devastação ambiental posterior.

Desde que o impacto de um grande corpo celeste foi apontado como a causa principal do desaparecimento dos dinossauros não aviários, cientistas tentam determinar exatamente que tipo de objeto atingiu o planeta. As principais possibilidades discutidas envolviam um asteroide ou um cometa, hipótese que continuou sendo defendida por parte dos astrônomos.

A nova investigação buscou restringir essa identificação por meio dos vestígios químicos deixados pelo impacto. Como o objeto foi praticamente destruído durante a colisão, apenas uma quantidade extremamente pequena de seu material permaneceu preservada na camada de argila associada ao evento.

O caminho encontrado pelos pesquisadores foi analisar a proporção entre cinco isótopos estáveis de níquel presentes nesses depósitos em diferentes locais do mundo. Essas marcas químicas funcionam como uma espécie de assinatura, permitindo comparar o material encontrado na Terra com diferentes grupos de meteoritos.

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