Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de julho de 2026 · 2 min de leitura ·

Por que as “bolas espaciais” conseguiram chegar quase intactas à Terra?

Por que as "bolas espaciais" conseguiram chegar quase intactas à Terra?

As seis esferas metálicas encontradas neste mês em praias de Queensland, na Austrália, continuam sendo investigadas como possíveis fragmentos de um foguete que reentrou na atmosfera terrestre. Depois da análise inicial da Agência Espacial Australiana (ASA), especialistas agora explicam por que esse tipo de objeto consegue chegar praticamente intacto ao solo e quais desafios isso representa para o monitoramento do lixo espacial.

Os pesquisadores afirmam que recipientes de pressão usados em veículos de lançamento costumam ser fabricados com materiais altamente resistentes ao calor da reentrada. Além disso, o aumento do número de lançamentos espaciais faz com que episódios como esse tendam a se repetir, ainda que a maior parte dos detritos caia no oceano.

Marlon Sorge, diretor executivo do Center for Orbital and Reentry Debris Studies (CORDS), da Aerospace Corporation, disse ao Space.com que não é surpreendente que as chamadas “bolas espaciais” tenham sobrevivido à passagem pela atmosfera.

De acordo com o especialista, esses componentes costumam ser produzidos em titânio, um material que suporta temperaturas muito elevadas. Além disso, seu formato faz com que desacelerem mais durante a queda do que blocos sólidos de metal, permitindo que atinjam a superfície com menor impacto.

Sorge afirma ainda que recipientes de pressão, incluindo modelos conhecidos como Composite Overwrapped Pressure Vessels (COPV), já são reconhecidos pela comunidade científica como um tipo de componente com maior probabilidade de sobreviver à reentrada.

Para o pesquisador, parte do problema poderia ser evitada se estágios superiores de foguetes fossem conduzidos a uma reentrada controlada, em vez de retornarem à Terra de forma aleatória.

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