
Embora Mercúrio seja o planeta mais próximo do Sol, é Vênus que registra as maiores temperaturas do Sistema Solar. A diferença não está apenas na distância em relação à estrela, mas principalmente na composição da atmosfera venusiana, que intensifica o efeito estufa e mantém o planeta extremamente quente o tempo todo.
Em artigo publicado no The Conversation, o professor de Física e Astronomia Vahe Peroomian, da USC Dornsife College of Letters, Arts and Sciences, explica como Vênus chegou a esse cenário. Segundo o pesquisador, o planeta provavelmente já teve oceanos e condições muito diferentes das atuais, mas um processo de aquecimento contínuo transformou sua atmosfera e elevou sua temperatura para níveis superiores aos de Mercúrio.
A explicação começa pelo funcionamento do efeito estufa, fenômeno que também ocorre na Terra. Objetos aquecidos emitem radiação infravermelha, e parte dessa energia pode ficar retida pela atmosfera, dependendo da quantidade de gases presentes.
Em Mercúrio, que praticamente não possui atmosfera, esse calor escapa diretamente para o espaço. Por isso, a diferença entre a face iluminada e a face voltada para a escuridão é enorme: enquanto a superfície exposta ao Sol chega a cerca de 430 °C, o lado sem iluminação pode atingir -180 °C.
Na Terra, gases como dióxido de carbono, metano e vapor d’água absorvem parte dessa radiação infravermelha e ajudam a manter o planeta aquecido. Como escreveu Peroomian no The Conversation, “precisamos de um efeito estufa moderado para tornar nosso planeta habitável”. Sem esse mecanismo, a temperatura média da Terra cairia de aproximadamente 15 °C para -18 °C.
Segundo o pesquisador, Terra e Vênus provavelmente começaram sua história com características semelhantes. Os dois planetas têm tamanhos próximos e, de acordo com cientistas, podem ter formado quantidades comparáveis de água e dióxido de carbono.
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