Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de julho de 2026 · 2 min de leitura ·

“Indigestão cósmica”: buraco negro não digere tudo o que captura

"Indigestão cósmica": buraco negro não digere tudo o que captura

Pesquisadores liderados pela Universidade de Warwick acompanharam um raro episódio de atividade do sistema Swift J1727.8−1613 e descobriram que os buracos negros podem expulsar uma quantidade significativa da matéria que capturam. O trabalho utilizou observações feitas com o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul.

As observações registraram em detalhes a erupção ocorrida em 2023, quando o sistema se tornou uma das fontes de raios X mais brilhantes do céu. Os resultados, publicados nesta quinta-feira (30) na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, indicam que, além de atrair gás de uma estrela vizinha, o buraco negro também lança parte desse material de volta ao espaço por meio de jatos e ventos, comportamento que continua mesmo quando sua atividade já caiu para níveis muito inferiores ao pico.

Os buracos negros costumam ser descritos como objetos que engolem tudo o que se aproxima. No entanto, segundo os pesquisadores, o comportamento observado em Swift J1727.8−1613 é mais complexo.

De acordo com o autor principal do estudo, Dr. Noel Castro Segura, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de Warwick, a matéria é capturada pelo sistema, passa por um processo interno e uma parte considerável acaba sendo expelida novamente. Para os cientistas, isso sugere que esses objetos funcionam mais como um “sistema digestivo cósmico” do que como estruturas que apenas acumulam material.

A equipe utilizou o instrumento X-Shooter, instalado no VLT, para registrar uma das sequências ópticas mais detalhadas já obtidas de uma erupção desse tipo. Em vez de analisar apenas alguns momentos isolados, os pesquisadores conseguiram acompanhar as mudanças do sistema durante diferentes fases da atividade.

O sistema é formado por um buraco negro que retira gás de uma estrela próxima, formando ao seu redor um disco de material superaquecido. Como a erupção de 2023 foi observada praticamente em tempo real, foi possível acompanhar a evolução desse processo com um nível de detalhes raramente alcançado.

Compartilhe