Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de agosto de 2026 · 2 min de leitura ·

O que é o Grande Atrator, o “ímã” que puxa nossa galáxia

O que é o Grande Atrator, o "ímã" que puxa nossa galáxia

Algo colossal está puxando a Via Láctea e todo o Grupo Local — o conjunto de cerca de cem galáxias que inclui a nossa e a vizinha Andrômeda — a cerca de 600 quilômetros por segundo. Os astrônomos batizaram essa força de Grande Atrator, e ele fica escondido bem atrás do disco da nossa própria galáxia.

Não é um buraco negro gigante nem um único objeto. É uma concentração de massa — galáxias, gás e matéria escura, uma forma de matéria que não emite luz, mas cuja gravidade pode ser detectada pelo efeito que causa em tudo ao redor — grande o suficiente para desviar o movimento do Sol e da Terra junto com o resto da galáxia.

O Grande Atrator fica na direção da constelação de Centauro, mas bem atrás do plano da Via Láctea, na chamada Zona de Ocultação. Essa faixa do céu é bloqueada pelo próprio disco da nossa galáxia: estrelas, gás e poeira em grande quantidade impedem que telescópios ópticos enxerguem o que existe atrás dela.

Para contornar o obstáculo, astrônomos recorrem a telescópios de rádio e de raios X, capazes de atravessar essa “cortina” cósmica e mapear indiretamente as galáxias escondidas.

O fenômeno foi detectado pela primeira vez entre as décadas de 1970 e 1980, quando um grupo de astrônomos apelidado de “Sete Samurais” notou que centenas de galáxias elípticas se moviam todas na mesma direção, numa velocidade que a simples expansão do Universo não explicava.

Décadas depois, em 2014, uma equipe liderada pelo astrônomo R. Brent Tully mapeou uma estrutura ainda maior: o superaglomerado Laniakea, palavra havaiana que significa “céu imenso”. Um superaglomerado é um agrupamento de vários aglomerados de galáxias conectados pela gravidade.

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