Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de setembro de 2026 · 2 min de leitura ·

Fuligem já é responsável por até 1/3 do derretimento das geleiras do Himalaia

Fuligem já é responsável por até 1/3 do derretimento das geleiras do Himalaia

A poluição por fuligem já é ligada ao aumento do risco de colapsos de geleiras no Himalaia. O tema ganhou urgência depois do desastre que atingiu vales no Nepal no fim de agosto, deixando milhares de desaparecidos.

Geleiras que antes eram brancas estão cada vez mais cobertas por resíduos de exaustão de carros, usinas a carvão e fábricas, segundo o New York Times. Essa camada escura faz o gelo absorver mais calor do sol e derreter mais rápido.

O fenômeno enfraquece o chamado efeito albedo: a capacidade de uma superfície de refletir energia solar de volta para o espaço. Neve limpa em alta altitude reflete até 90% da luz solar recebida.

Quando fuligem e poeira se depositam sobre a neve, essa reflexividade cai bastante. A superfície passa a absorver mais calor em vez de devolvê-lo ao espaço – como uma camiseta preta usada sob sol forte.

“Isso está tendo um impacto enorme nessas geleiras, especialmente à medida que elas ficam cada vez mais finas”, disse Marco Tedesco, professor de geofísica do Observatório Terrestre Lamont-Doherty, da Universidade Columbia, ao New York Times.

Uma modelagem da Academia Chinesa de Ciências estimou que o carbono negro do Sul da Ásia – fuligem liberada por queima de combustíveis – respondeu por até um terço da perda total de massa glacial no Himalaia entre 2007 e 2016.

Compartilhe