Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de setembro de 2026 · 2 min de leitura ·

Asteroides podem ter “escudo” contra planetas, revela pesquisa premiada da Unesp

Asteroides podem ter “escudo” contra planetas, revela pesquisa premiada da Unesp

Um estudo liderado por um pesquisador da Unesp descobriu que determinadas interações gravitacionais podem ajudar a estabilizar as órbitas de alguns asteroides e reduzir o risco de encontros próximos com planetas. O trabalho recebeu o prêmio CELMEC IX Prize, concedido pela Sociedade Italiana de Mecânica Celeste e Astrodinâmica.

A pesquisa foi conduzida por Valerio Carruba, da Faculdade de Engenharia e Ciências (FEG) da Unesp, câmpus de Guaratinguetá (SP), e investigou os chamados asteroides co-orbitais, corpos que compartilham uma relação orbital com planetas.

Embora esses asteroides não percorram exatamente a mesma trajetória dos planetas, eles levam aproximadamente o mesmo tempo para completar uma volta ao redor do Sol. Isso acontece devido a uma ressonância gravitacional conhecida como ressonância de movimento médio 1:1.

O estudo analisou como essa ressonância pode interagir com outro fenômeno, o mecanismo von Zeipel–Lidov–Kozai (ZLK). As simulações indicaram que, em determinadas configurações, essa combinação pode contribuir para manter os asteroides afastados dos planetas e, consequentemente, reduzir a ocorrência de encontros próximos.

O trabalho, intitulado “Co-orbital asteroids of terrestrial planets affected by the von Zeipel–Lidov–Kozai mechanism”, foi publicado na revista científica Celestial Mechanics and Dynamical Astronomy.

O fenômeno também pode fazer com que um parâmetro chamado argumento do periélio deixe de circular continuamente entre 0° e 360° e passe a oscilar em torno de determinados ângulos. Essa chamada libração restringe a geometria da órbita e, em determinadas situações, pode impedir que o asteroide se aproxime demais de um planeta.

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