Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 12 de setembro de 2026 · 2 min de leitura ·

Levedura mutante e gelatina viram concreto biológico para construir em Marte

Levedura mutante e gelatina viram concreto biológico para construir em Marte

A construção de casas em Marte pode não depender de cimento, aço ou tijolos. Pesquisadores estão testando uma receita bem diferente: rochas do próprio planeta misturadas a gelatina e levedura geneticamente modificada. A proposta é transformar essa combinação em um material de impressão 3D que possa ser produzido com menos energia, desmontado e reaproveitado em novas construções.

A ideia foi apresentada em um estudo publicado na quinta-feira (10) no periódico Chem Circularity. O material combina partículas de rocha, que funcionam como base estrutural, com gelatina e um tipo especial de levedura. Juntos, esses componentes formam uma mistura que pode ser moldada por impressão 3D e endurecida em condições semelhantes às encontradas na superfície marciana.

A levedura utilizada pelos pesquisadores foi geneticamente modificada para produzir proteínas altamente adesivas. A inspiração veio dos mexilhões, que conseguem se fixar com força às rochas. Já a gelatina ajuda a manter os componentes unidos e cria um ambiente favorável para as células. A combinação funciona, portanto, como uma espécie de cola biológica para as partículas minerais.

Depois que a mistura sai do bico da impressora, o ambiente frio e de baixa pressão simulado pelos pesquisadores provoca um processo semelhante à liofilização. A água congela e passa diretamente do estado sólido para o vapor. Com isso, ficam pequenos espaços dentro do material, formando uma estrutura leve e porosa, parecida com uma espuma endurecida.

Nos experimentos, a equipe produziu pequenas cúpulas com apenas 45 milímetros de altura e 30 milímetros de largura. Mesmo em escala reduzida, o material apresentou resistência à compressão entre 10 e 12 megapascais. O desempenho é comparável ao de concretos de baixa resistência e indica que a mistura pode suportar cargas consideráveis.

A resistência, no entanto, não é a única característica que chamou atenção. A fabricação também poderia consumir menos energia do que algumas alternativas estudadas para a construção extraterrestre. Uma possibilidade seria aquecer ou fundir rochas e poeira de Marte para transformá-las em tijolos ou outros componentes. Esses processos exigiriam grandes quantidades de energia térmica, um recurso especialmente valioso em uma futura base marciana.

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