Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de setembro de 2026 · 2 min de leitura ·

Buracos negros não só destroem estrelas: eles podem ajudar a formá-las

Buracos negros não só destroem estrelas: eles podem ajudar a formá-las

Buracos negros supermassivos estão no centro de todas as galáxias, mas isso não significa que eles funcionem como “ralos cósmicos”, esperando que tudo ao redor caia em sua direção. Grande parte da matéria pode orbitar esses objetos sem ser afetada por bilhões de anos.

Quando se tornam ativos, porém, esses buracos negros podem interferir profundamente em suas galáxias hospedeiras. Eles aquecem o gás ao redor e podem interromper a formação de estrelas. Agora, pesquisadores encontraram evidências de que o efeito também pode ocorrer no sentido contrário: a atividade desses objetos pode contribuir para o nascimento de novas estrelas.

Um buraco negro ativo libera uma enorme quantidade de energia no gás ao seu redor. Essa energia pode ser lançada na forma de jatos poderosos, que se deslocam a velocidades próximas à da luz, além de ventos que atravessam a galáxia e aquecem o meio interestelar.

Para que estrelas se formem, porém, o gás precisa estar frio o suficiente para se condensar e, posteriormente, entrar em colapso. Por isso, os efeitos da atividade de um buraco negro sobre a formação estelar são mais complexos do que se imaginava.

“Depois que conseguimos resolvê-los, pudemos ver que eles não apenas acumulam coisas, mas também ejetam coisas”, afirmou Peixin Zhu, principal autor do estudo, estudante de pós-graduação e astrônomo do Center for Astrophysics. “A injeção e a acreção estão ligadas uma à outra.”

Segundo Zhu, as frentes de choque apresentam característica particularmente interessante: elas aparecem perpendicularmente à direção dos fluxos de material injetados pelo buraco negro.

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