Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de setembro de 2026 · 2 min de leitura ·

Bicho microscópico sobrevive com cromossomos quebrados e consegue reparar o DNA geração após geração

Bicho microscópico sobrevive com cromossomos quebrados e consegue reparar o DNA geração após geração

Um pequeno animal encontrado em musgos e líquens chamou a atenção de cientistas por apresentar uma capacidade de reparação do DNA que, segundo os pesquisadores, nunca havia sido documentada em outro organismo. A espécie Adineta vaga, um rotífero bdeloide, consegue reproduzir-se mesmo depois de ter os cromossomos fragmentados por radiação e continuar o reparo do material genético nas gerações seguintes.

A descoberta surgiu depois que pesquisadores expuseram exemplares da espécie à radiação e acompanharam o material genético de seus descendentes. O estudo revelou que fragmentos de cromossomos danificados permaneciam nas células e que o DNA perdido era gradualmente reconstruído ao longo de sucessivas gerações. Os resultados foram publicados na revista Science Advances.

Os pesquisadores expuseram A. vaga a doses de radiação de prótons de 100, 250 e 500 grays. As doses foram estimadas como suficientes para provocar cerca de 88, 220 e 440 quebras de DNA de dupla fita, respectivamente. Na maior dose, um único cromossomo podia ser fragmentado em até 30 a 50 pedaços.

Em condições comuns, uma fragmentação desse tipo representa um problema durante a divisão celular. Isso ocorre porque os cromossomos dependem de uma região chamada centrômero para garantir que o material genético seja distribuído às novas células.

No caso dos rotíferos bdeloides, porém, os pesquisadores identificaram uma estrutura chamada holocêntrica. Nela, componentes estruturais importantes do centrômero estão distribuídos por diferentes regiões do cromossomo. Dessa forma, fragmentos que ainda possuem esses componentes podem ser segregados durante a divisão celular e permanecer nas células das gerações seguintes.

A segunda parte do mecanismo envolve o fato de A. vaga possuir um genoma diploide. Seus cromossomos aparecem em pares de homólogos, que carregam os mesmos genes nas mesmas posições, embora possam apresentar versões diferentes desses genes.

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