

O Ministério de Segurança Pública da China e uma grande empresa chinesa de segurança cibernética parecem estar envolvidos numa campanha destinada a lançar os EUA como potência cibernética irresponsável. É o que aponta um relatório divulgado na quarta-feira (26) pelo Aspi (Instituto Australiano de Política Estratégica).
As considerações finais do relatório, embora não sejam conclusivas, estão alinhadas a um corpo crescente de evidências sobre como entidades do governo chinês exploram plataformas de mídia social ocidentais para promover narrativas pró-China.
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Influência da China

Esforços para detectar operações de desinformação chinesas aumentaram nos últimos anos. Mas pesquisadores ainda lutam para conectar essas campanhas às entidades governamentais, que mantêm diretrizes e operações relacionadas sob sigilo.
Ao encontrar uma trilha que liga o aparato de segurança chinês aos esforços para difamar os EUA, relatório mostrou escopo e ambição expandidos das operações de influência chinesa.
As operações de influência secreta do PCC (Partido Comunista Chinês) nas mídias sociais tornaram-se mais frequentes, sofisticadas e eficazes em atingir democracias, interrompendo políticas externas e processos de tomada de decisão.
“As redes de contas de mídia social que já foram vinculadas ao governo chinês muitas vezes escondem sua afiliação estatal e se apresentam como ocidentais”, disse ele. “Nos últimos anos, eles se expandiram para atingir públicos fora da China e apoiar os interesses estratégicos do PCC”.
Rastro nas redes sociais

Os pesquisadores da Aspi encontraram, em 2022, mais de quatro mil postagens em redes sociais como Twitter, Reddit e Facebook, alegando que CIA e Agência de Segurança Nacional dos EUA vigiavam China e outros países. Postagens coincidiram com declarações do Ministério das Relações Exteriores da China criticando atividades cibernéticas dos EUA.
Algumas das contas que postaram conteúdo semelhante em plataformas chinesas traziam links para departamentos locais de segurança pública, escritórios de aplicação da lei responsáveis pelo policiamento e segurança pública.
Muitas das contas ampliaram a análise de empresas chinesas de segurança cibernética e, em alguns casos, usaram logotipos dessas empresas em gráficos postados. Eles usam hashtags em inglês e chinês, como #EspionageEmpire (“Império da Espionagem”, em tradução livre) ou #USthreatenscybersecurity (“EUA ameaçam cibersegurança”).
Desde 2019, Twitter e Meta vêm derrubando redes de contas de “spamouflage” (mistura das palavras “spam” e “camuflagem”) que eles vincularam ao governo chinês. Exércitos de contas falsas ou sequestradas postaram conteúdo ecoando posição de Pequim sobre questões como movimento de protesto de Hong Kong, alegações de abusos de direitos em Xinjiang ou origens do coronavírus.
Implicações e significados

Usando links, hashtags e imagens compartilhadas em conjuntos de dados do Twitter e Meta lançados anteriormente, pesquisadores da Aspi encontraram contas adicionais de “spamouflage” que ainda estavam ativas online. A maior parte de suas postagens foi publicada durante a semana, entre 8h e 18h. Horário de Pequim, com aparente intervalo para almoço entre 12h e 18h.
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