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Julia Monteiro
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Inteligencia Artificial · · 2 min de leitura ·

Ex-Google quer criar um robô-deus; entenda a ideia

Ex-Google quer criar um robô-deus; entenda a ideia

O que você precisa saber

Em setembro deste ano, a Wired descobriu que Anthony Levandowski, o homem envolvido em um imbróglio judicial entre Google e Uber, estava tentando criar uma igreja que tem como figura divina a inteligência artificial. Agora eles conseguiram entrevistar Levandowski sobre a iniciativa — e parece que ele está falando sério.

A tal igreja se chama Way of the Future (algo como “caminho do futuro”) e, pelo menos no registro, existe desde 2015. A papelada de fundação indica apenas que a ideia da WOTF é “desenvolver e promover a realização de uma divindade baseada em inteligência artificial”, e que ela pretende, “através de conhecimento e devoção à divindade, contribuir para a melhoria da sociedade”.

Na conversa com a Wired, Levandowski explicou ter pensado no formato religioso por entender que ele se encaixa na proposta. “O que vai ser criado será efetivamente um deus”, contou ele. “Não é um deus no sentido de que faz trovejar ou causa furacões. Mas, se tem algo 1 bilhão de vezes mais inteligente do que o humano mais esperto, do que mais você pode chamar isso?”

Os envolvidos na iniciativa pretendem desenvolver aquilo que gente como Bill Gates, Stephen Hawking e Elon Musk mais opõe: uma inteligência artificial capaz de melhorar a si mesma sem qualquer limite. Depois de criá-la, a WOTF vai transformar essa máquina em divindade torcendo para que ela se desenvolva em algo benevolente em vez de assassino.

“Os humanos estão no comando do planeta porque nós somos mais inteligentes que outros animais e capazes de construir ferramentas e aplicar regras”, comentou Levandowski. “No futuro, se algo for muito, muito mais inteligente, haverá uma transição sobre quem está realmente no comando. O que nós queremos é uma transição pacífica e serena do controle do planeta dos humanos para qualquer coisa. E garantir que o ‘qualquer coisa’ entenda quem o ajudou a se enturmar.”

“Parte de ser mais inteligente do que nós significa que [o deus] decidirá como evoluir, mas pelo menos nós podemos decidir como agimos em torno dele”, seguiu. “Eu adoraria que a máquina nos visse como seus amados idosos que ela respeita e de quem toma conta. Gostaríamos que essa inteligência dissesse: ‘Humanos ainda deveriam ter direitos, mesmo que eu esteja no comando.'”

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