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Internet e Redes Sociais · 20 de abril de 2025 · 3 min de leitura ·

Crise de identidade fez Facebook repensar tudo, até os amigos

Crise de identidade fez Facebook repensar tudo, até os amigos

Documentos apresentados no julgamento antitruste do Meta nos EUA revelaram como a empresa vem enfrentando dificuldades para manter o Facebook culturalmente relevante. As mensagens internas, datadas de 2022, mostram que executivos da companhia discutiram diversas estratégias para recuperar o apelo da rede social, reconhecendo que sua influência estava diminuindo rapidamente.

Durante a divulgação dos resultados financeiros do quarto trimestre de 2024, o CEO Mark Zuckerberg voltou ao tema, dizendo que a meta para 2025 é justamente restaurar a relevância cultural do Facebook. Para isso, a plataforma aposta em um retorno às origens, com o lançamento de uma nova aba “Amigos”, parte da tentativa de resgatar o que chamou de “OG Facebook” (ou “Facebook original”).

facebook
Mark Zuckerberg quer retomar a relevância cultural do Facebook (Imagem: Anton Dzhumelia / Shutterstock.com)

Preocupações com o modelo de “amizades” do Facebook

  • Nos e-mails de 2022 apresentados pela Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês), Zuckerberg destacava que o formato de amizades do Facebook parece desatualizado diante de outras redes sociais que priorizam o modelo de “seguir”.
  • Ele considerou inclusive a ideia radical de excluir as listas de amigos de todos os usuários, forçando um novo começo.
  • “Fazer amigos parece estar fora de moda agora”, escreveu o CEO.
  • Para ele, os gráficos de amizades se tornaram estagnados e pouco relevantes, além de serem difíceis de atualizar.
  • “Na maioria das vezes, quando conheço alguém ou me interesso por alguém, só quero seguir essa pessoa, e não pedir nada em troca”, afirmou, referindo-se à natureza mais fluida de plataformas como Instagram e TikTok.

Estratégias discutidas internamente

A troca de e-mails também mostra que o Meta discutiu alternativas mais ousadas. Entre elas, uma transição completa do modelo de amizade para o de seguidores, inclusive em contas privadas, o que implicaria também no fim dos likes em páginas. A ideia seria transformar o Facebook em uma plataforma mais alinhada com os padrões contemporâneos das redes sociais.

Zuckerberg apontou que “todas as redes sociais modernas são construídas em torno do conceito de seguir”, e que o Facebook pode estar desatualizado por não ter adotado essa mudança estrutural. Ele chegou a sugerir que a solução ideal exigiria uma mudança drástica, como apagar todos os gráficos de conexões e reconstruí-los do zero, começando com testes em países menores.

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Boa parte das redes sociais “modernas” (nas palavras de Zuckerberg), como o próprio Instagram da Meta, usam o modelo de seguidores (Imagem: PixieMe / Shutterstock.com)

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Impacto na estratégia da empresa

A reformulação da aba “Amigos”, lançada recentemente, parece ser um dos primeiros passos visíveis nessa tentativa de reconectar o Facebook com os hábitos digitais da nova geração. Mas os e-mails indicam que mudanças ainda mais profundas ainda podem ser avaliadas pela equipe executiva da empresa.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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