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Internet e Redes Sociais · 21 de julho de 2026 · 3 min de leitura ·

A perigosa rede que transforma jovens em vítimas e agressores

A perigosa rede que transforma jovens em vítimas e agressores

Uma rede digital chamada 764 entrou no radar de autoridades após casos envolvendo adolescentes submetidos a chantagens, violência e automutilação. O grupo faz parte de comunidades online que exploram vulnerabilidades para controlar jovens.

A investigação revela um fenômeno que mistura jogos, redes sociais e manipulação psicológica, com casos registrados em diferentes países.

Jogos e chats online aparecem como portas de entrada para grupos que exploram adolescentes. – Imagem: Jatuporn Tansirimas/iStock

Jogos e chats viram porta de entrada para vítimas

Segundo o The Guardian, grupos ligados à 764 costumam buscar adolescentes em plataformas populares, como Roblox e Minecraft, além de comunidades relacionadas à saúde mental e identidade sexual.

A aproximação começa com conversas e pode evoluir para ameaças, exigências e pressão para produzir conteúdos violentos ou degradantes. Esses registros, segundo investigadores, também serviriam para dar status aos participantes dentro das comunidades.

Criada pelo americano Bradley Cadenhead quando ele tinha apenas 15 anos, a 764 ganhou notoriedade após investigações internacionais. O fundador cumpre uma pena de 80 anos nos Estados Unidos por posse de material de abuso sexual infantil.

O especialista Bjørn Ihler, fundador da empresa de segurança Revontulet, resume o perfil do fenômeno: “Estes são jovens recrutando outros jovens”.

Entre os sinais observados por especialistas estão:

  • Mudanças repentinas de comportamento;
  • Isolamento de familiares e amigos;
  • Segredo sobre atividades na internet;
  • Indícios de automutilação.
Garota adolescente esperando mensagem de texto
Mudanças de comportamento e isolamento podem estar entre os sinais de alerta no ambiente digital. – Imagem: SeventyFour/iStock

Casos expõem alcance internacional da rede

Um dos episódios que chamou atenção ocorreu no fim de 2024, na Suécia. Um adolescente de 14 anos atacou um homem idoso em uma área residencial de Estocolmo, e o vídeo da agressão foi compartilhado rapidamente na internet.

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Durante a investigação, surgiu o nome de usuário “Chai”, relacionado a outro caso envolvendo suposta coerção contra adolescentes. O jovem é acusado de mais de 70 crimes, incluindo incentivo à automutilação e criação de material de abuso sexual infantil. A defesa nega as acusações.

A promotora sueca Jenny Östling afirmou que o processo pode estabelecer novos limites sobre a responsabilidade de pessoas que pressionam outras vítimas remotamente.

“Eles têm um objetivo para o próprio grupo: destruir o mundo… Mas os membros também têm um objetivo pessoal: querem ganhar status dentro do grupo”, afirmou.

Pesquisadores identificaram ao menos 295 prisões relacionadas ao chamado “Com”, rede mais ampla que reúne comunidades envolvidas em crimes digitais, extorsão e violência em 33 países.

roblox
Roblox e outras plataformas aparecem em investigações sobre aproximação de jovens vulneráveis. Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock

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