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Julia Monteiro
Julia Monteiro
Inteligencia Artificial · · 3 min de leitura ·

A inteligência artificial pode ameaçar nossos empregos?

A inteligência artificial pode ameaçar nossos empregos?

O que você precisa saber

Acredito que o conceito de inteligência artificial não soe tão estranho a ninguém que, como eu, tenha crescido nos anos 80 e 90, em meio a grandes marcos da ficção científica. O tema é assunto central de Blade Runner, Star Trek e Exterminador do Futuro. Leitor assíduo, fui remetido por essas séries e filmes para a bibliografia de autores como Philip K. Dick e Isaac Asimov, que exploram com empenho o assunto.

Nessas séries, as IAs em geral eram personagens carismáticas e com personalidade própria, quase “gente como a gente”. A realidade não poderia estar mais distante, como qualquer desafortunado interlocutor de um chatbot de suporte certamente pode atestar. Os avanços mais recentes na área, porém, talvez estejam prestes a cumprir uma das profecias do passado: o conflito entre a humanidade e as máquinas – não pelo planeta, mas certamente por empregos.

Estamos chegando a um ponto em que está próxima a concretização da previsão feita pelo economista britânico John Maynard Keynes em 1933: o desenvolvimento da otimização de empregos – por meio da automação – está ultrapassando a criação de novas aplicações para a mão de obra existente.

A implantação de novas tecnologias, que alguns estão chamando de “quarta revolução industrial” ou “indústria 4.0”, promete transformar o mercado de trabalho no mundo inteiro: segundo estudos de instituições como McKinsey Global Institute (MGI), Citi, Universidade de Oxford e outras, a inteligência artificial potencialmente ameaça cerca de 50% dos empregos na Europa e nos Estados Unidos. Em países em desenvolvimento, os números ultrapassam 70%. Neste artigo, tentarei explicar um pouco do que significa essa nova revolução, como ela afeta o mercado e como estar pronto para as mudanças.

Não deveria ser novidade que a automação vá substituir empregos humanos. Um dos objetivos da robótica sempre foi esse, e seu escopo se resume ao que se conhece como os três Ds da robótica: dirty, dangerous, and dull. Resumidamente, os termos se referem a tarefas tão diversas como mineração e inspeção de canos de petróleo (sujas), exploração espacial e desarmamento de explosivos (perigosas) ou linhas de montagem e limpeza de ambientes domésticos (tediosas). 

Todas são funções mais adequadas para robôs do que para humanos, seja por serem degradantes, por apresentarem risco excessivo à vida ou simplesmente por serem simples e repetitivas e não exigirem a inteligência de um ser humano para realizar. Entretanto desenvolvimentos recentes em tecnologia estão transformando esse panorama.

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