Como a inteligência artificial está ajudando a NASA a buscar vida fora da Terra

O que você precisa saber
Será que estamos sozinhos no universo? É o tipo de pergunta que surge naturalmente em rodas de discussão informais como, por exemplo, uma mesa de bar. No entanto, existem estudos sérios que visam criar uma resposta científica para esta pergunta que muitas vezes é mais retórica e filosófica do que prática.
Para tentar chegar a uma conclusão, a NASA possui um projeto usa inteligência artificial com o objetivo de detectar padrões que permitam identificar sinais de vida em outras partes do universo. Chamado de FDL (Laboratório de Desenvolvimento de Fronteiras, na sigla em inglês), o programa utiliza os serviços de computação em nuvem do Google para processar toneladas de dados e alcançar em minutos respostas que levariam meses para serem alcançadas por cérebros humanos.
O primeiro passo na identificação de um planeta que possa abrigar vida é… encontrá-lo. Pode parecer redundante, mas não é uma tarefa fácil. Exoplanetas, como são chamados os planetas que orbitam outras estrelas que não são o nosso Sol, estão incrivelmente distantes, o que torna a missão de encontrá-los bastante complicada.
Como explica Massimo Mascaro, diretor do Google Cloud para inteligência artificial aplicada, a descoberta de um planeta acontece quando um deles acaba cruzando a linha de visão dos equipamentos que a NASA têm apontados para estrelas pelo espaço. Neste momento, os sensores detectam uma breve interrupção na emissão de luz; é o momento em que o exoplaneta bloqueia a luz da estrela.
Esse trabalho é feito pelo satélite TESS (Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito, em inglês), que a cada 27 dias despeja terabytes de dados sobre uma porção do céu analisada durante o mês. A partir destas informações, os pesquisadores precisam encontrar o padrão mencionado previamente: uma luz que brevemente perde a intensidade como resultado de um objeto que cruza o seu caminho até os sensores do satélite. É um padrão bastante delicado, e que muitas vezes levou a falsos positivos quando esse trabalho era feito por mentes humanas.
Graças à tecnologia de aprendizado de máquina, no entanto, a NASA se tornou capaz de treinar uma inteligência artificial que é capaz de identificar em “um piscar de olhos”, como define o astrônomo Hugh Osborn, o que é e o que não é um planeta, com a capacidade de identificar e classificar rapidamente as diferentes curvas de luz e observar variáveis que não haviam sido percebidas pelos cientistas. Os pesquisadores notaram que a precisão da análise subiu de 94% para 96% quando a máquina começou a fazer essa função; a diferença pode parecer marginal, mas os humanos levavam dias para concluir a tarefa, enquanto a máquina leva apenas alguns segundos para isso, com uma taxa de acerto maior.
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