Pedir permissão para artistas “mataria” indústria de IA, diz ex-chefe da Meta

Frente aos debates sobre regulação do setor de IA, Nick Clegg — ex-executivo da Meta e ex-vice-primeiro-ministro do Reino Unido —, afirma que se as empresas fossem obrigadas a pedir permissão a artistas para usar suas obras no treinamento de algoritmos, a indústria enfrentaria um colapso “da noite para o dia”.
Clegg classifica como “implausível” e impraticável a exigência de consentimento prévio dos detentores de direitos autorais, pois, segundo ele, os sistemas de IA precisam de uma “vasta quantidade de dados” para o seu desenvolvimento. “Se você fizesse isso na Grã-Bretanha e ninguém mais fizesse, você basicamente mataria a indústria de IA neste país”, complementa.

A declaração do executivo ocorre em meio às discussões no Parlamento do Reino Unido sobre o “Data (Use and Access) Bill” — um projeto de lei que propõe, entre outras medidas, mais transparência no uso de obras protegidas por direitos autorais no treinamento de modelos de IA.
O texto quer obrigar empresas de tecnologia a revelar quais trabalhos utilizaram para treinar seus sistemas, aumentando a fiscalização sobre o uso de conteúdo criativo por essas plataformas. Centenas de artistas, como Paul McCartney, Dua Lipa, Elton John e outros músicos, designers e escritores, assinaram uma carta aberta, no começo de maio, declarando apoio à proposta.
Para os defensores da emenda, como a cineasta Beeban Kidron, diretora de Bridget Jones: No Limite da Razão, tal exigência permitiria a aplicação efetiva das leis de copyright e coibiria o uso não autorizado de material criativo.
Apesar da pressão, parlamentares já rejeitaram a emenda. Contudo, o projeto de lei ainda retornará à Câmara dos Lordes (equivalente ao Senado brasileiro) para nova discussão em junho. Peter Kyle, secretário de tecnologia do Reino Unido, defendeu que a economia britânica precisa tanto do setor de IA quanto das indústrias criativas para prosperar.
Fonte: Tecnoblog
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