Com mais de 7 horas de duração, é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos: Martin Scorsese o celebra como uma “experiência real”

O filme Satantango ultrapassa tudo o que é convencional dentro do meio cinematográfico, a começar pelo tempo. Por isso, o filme foi dividido entre três partes.
Vemos uma enorme manada de vacas vagando por uma fazenda aparentemente abandonada até desaparecer ao longe. As imagens sombrias em preto e branco e o clima inóspito se reforçam mutuamente. Essa é uma breve descrição dos oito minutos iniciais de Satantango (1994), uma sequência realizada sem um único corte, que estabelece o tom das mais de sete horas que se seguem.
O sexto longa dirigido pelo cineasta húngaro Béla Tarr é uma obra gigantesca em todos os sentidos. Em essência, a adaptação cinematográfica do romance homônimo de László Krasznahorkai é permeada por desesperança, tristeza, pessimismo e indiferença.
A história de Satantango se passa em uma comunidade cada vez mais desolada da planície húngara. Quando chega a notícia de que Irimiás (Mihály Víg), dado como morto, retornará à comunidade depois de muitos anos, um clima de celebração toma conta dos moradores que ainda permanecem no local. O que eles não imaginam é que o homem esconde um segredo.
Estruturado em 12 capítulos, o filme adota uma narrativa episódica que lança novas perspectivas sobre seus temas: o poder mal direcionado, a ausência do Estado, a condição humana e seu processo de decadência.
Entre os admiradores de Satantango está Martin Scorsese, que definiu Béla Tarr como “um dos artistas mais ousados do cinema” e acrescentou: “Seus filmes, como Satantango ou O Cavalo de Turim, são experiências reais que você assimila e que continuam se desenvolvendo em sua mente”.
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