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Cinema · · 3 min de leitura ·

Tiradentes – Seminário discute o ator no cinema nacional

Tiradentes - Seminário discute o ator no cinema nacional




Karine Telles (do filme Riscado), Irandhir Santos (Tropa de Elite 2) e Marat Descartes (Dois Coelhos) debateram sobre o papel do ator no cinema brasileiro.

Um dos destaques de sábado na programação da 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes foi o seminário O Ator em Expansão. Nele os atores Karine Telles (Riscado), Irandhir Santos (Tropa de Elite 2) e Marat Descartes (2 Coelhos) conversaram sobre o papel do ator no atual cinema brasileiro, não apenas representando mas no próprio processo de criação. O resultado foi um bate-papo com sala lotada, onde vários temas relevantes vieram à tona. Logo abaixo você confere os principais destaques.

Com pouca experiência em TV – Karine Telles fez trabalhos ocasionais anos atrás, Irandhir Santos esteve na minissérie A Pedra do Reino e Marat Descartes atuou na novela A Vida da Gente -, o trio comentou sobre o impacto de não ser famoso na TV em suas carreiras no cinema.

"Não é mais tão necessário estar na TV para fazer cinema, apesar das distribuidoras acreditarem que seja", disse Marat Descartes. "Fiz recentemente 2 Coelhos, um filme de caráter mais comercial, com uma grande distribuidora. Como filmei em 2009 já nem lembrava da importância do meu personagem. Fui assistir uma das pré-estreias no Rio de Janeiro e vi que o cartaz era feito de fotos dos personagens e eu não estava nele. Na hora achei que meu personagem tinha caído na edição. Assisti o filme e vi que ele era super importante na trama, então fui conversar com o diretor, Afonso Poyart. Ele me disse que teve discussões homéricas com a Imagem Filmes, mas que eu não vendia. No entanto tinha o Thaíde e o Róbson Nunes, apresentadores de TV, que têm participações bem menores mas que vendem e estavam no cartaz. Então acho que não é necessário compactuar com a mídia televisiva para fazer bons filmes, mas para o mercado cinematográfico ainda é importante que você seja um rostinho conhecido, pois eles acreditam que isto é que vai levar público ao cinema. Infelizmente. É um paradigma que ainda precisa ser quebrado, mas acho muito difícil isso acontecer. Não conheço o pessoal da Imagem Filmes, mas vi ali uma mentalidade muito tacanha."

"No meu caso era mais complicado ainda, porque o Riscado era um filme sobre a minha personagem e na hora de vender era mais difícil ainda. Riscado com Karine Telles. Quem?", comentou a atriz, provocando risadas na plateia. "Ninguém sabe quem eu sou e continua não sabendo. Nunca busquei fazer televisão, mas também não tenho alguma rejeição. Para mim é um veículo desconhecido."

Marat Descartes ressaltou que o cinema, assim como o teatro, tem vários estilos diferentes. "Tem o filmão, que precisa ter o nome da Globo, e outros alternativos, que servem para alimentar a alma. A grande realidade é que o nome da Globo não necessariamente chama público. Se o filme não for bom e não emplacar no gosto do público logo sai de cartaz."

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