Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de abril de 2025 · 2 min de leitura ·

A ciência acaba de descobrir uma linhagem humana desconhecida de 7 mil anos

A ciência acaba de descobrir uma linhagem humana desconhecida de 7 mil anos

O deserto do Saara já foi uma savana cheia de vida, com corpos hídricos e uma variedade de vegetação durante o Período Úmido Africano (AHP), entre 14.500 e 5.000 anos atrás. Em uma nova pesquisa, cientistas encontraram os restos mortais dos habitantes desse “Saara Verde” e descobriram como provavelmente viviam e o que aconteceu com eles.

Uma equipe de pesquisa do Instituto Max Planck sequenciou o DNA de “dois indivíduos femininos do Neolítico Pastoral com aproximadamente 7.000 anos”. Os fósseis estavam no abrigo rochoso Takarkori, um sítio arqueológico no que hoje é o sudoeste da Líbia.

Após a análise, o grupo descobriu que as representantes desse povo do antigo Saara compartilhavam a maioria dos genes com uma população coletora de forragens de 15 mil anos atrás, que tem seus vestígios na caverna Taforalt, no Marrocos. Isso sugere que essa foi uma civilização duradoura e estável que viveu no Norte da África antes da desertificação.

“Nossa pesquisa desafia suposições anteriores sobre a história da população do Norte da África e destaca a existência de uma linhagem genética profundamente enraizada e há muito isolada”, disse Nada Salem, pesquisadora do Instituto Max Planck, em um comunicado.

A linhagem genética de habitantes do Saara abordada no estudo seguiu por um caminho diferente dos povos subsaarianos. Ao invés de se espalhar, ela ficou isolada por milhares de anos. Pesquisadores encontraram apenas alguns traços genéticos na região do Levante, incluindo alguns vindos de neandertais.

No entanto, os indivíduos analisados em Takarkori tinham menos DNA neanderthal do que as antigas populações encontradas no Marrocos, mas mais do que os povos do sul da África. Essa constatação sugere que algo impediu que a chegada de genes da Europa se espalhasse para além da região do Saara.

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