Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de agosto de 2026 · 2 min de leitura ·

A vida pode ter surgido duas vezes e ciência reabre o maior mistério da Terra

A vida pode ter surgido duas vezes e ciência reabre o maior mistério da Terra

Um novo estudo publicado na última quarta-feira (05) na revista Science Advances propõe uma mudança radical na compreensão sobre a origem da vida: bactérias e arqueias podem ter alcançado a condição de organismos vivos por trajetórias evolutivas separadas.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Heinrich Heine de Düsseldorf, na Alemanha, analisou enzimas relacionadas ao metabolismo e concluiu que os dois grandes grupos de microrganismos teriam desenvolvido soluções próprias para superar uma etapa decisiva entre a química não viva e os primeiros seres capazes de sobreviver de forma independente.

A descoberta sugere que o ancestral comum universal, conhecido como LUCA, não representaria necessariamente o único ponto inicial da vida celular. Em vez disso, a história da vida poderia ter duas origens distintas após uma fase química compartilhada.

A origem da vida envolve uma das questões mais complexas da ciência: como conjuntos de moléculas presentes na Terra primitiva passaram a formar sistemas capazes de obter energia, crescer e se reproduzir.

A pesquisa parte do papel central do metabolismo nesse processo. Embora diferentes definições de vida existam, a capacidade de realizar reações químicas para manter o funcionamento do organismo é considerada uma característica essencial dos seres vivos.

O problema enfrentado pelos cientistas é conhecido como um dilema evolutivo: as enzimas, proteínas responsáveis por acelerar reações químicas, são produzidas por organismos vivos, mas os primeiros sistemas vivos precisavam realizar reações antes mesmo de possuir essas estruturas.

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